VIANA TEM UM PROBLEMA DE IDENTIDADE

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Carlos Maciel

Em marketing há um conceito fundamental transversal a todas as marcas: A lei do foco! Definimos as marcas numa palavra. Se pensarmos em Mercedes associamos a engenharia. BMW a direcção. Volvo a segurança.

Se definirmos a cidade de Viana numa palavra ou num conceito, qual seria? Turismo? Indústria? Serviços? Bem, Viana representa todos estes sectores, mas fá-lo de forma medíocre. 

 

Viana sempre teve indústria. Os Estaleiros fazem parte da história recente da cidade. A Enercon tem um polo importante e emprega muitas pessoas. A Suavecel é uma empresa de sucesso, sediada no concelho de Viana. Podia enumerar vários outros casos de indústrias vencedoras. No entanto será que associamos Viana a indústria? Afinal, as cidades industriais são feias e com pouca qualidade de vida. O Barreiro é uma cidade industrial e não é muito bonita. 

Sendo Viana do Castelo uma cidade que tem por lema ‘Cidade Saudável’, devia ser uma cidade turística e não é. Não existe uma aposta por parte dos privados em equipamentos turísticos. O investimento que se faz é público e raramente a oferta acompanha a procura. Os turistas que cá chegam andam um pouco perdidos. O comércio que há no centro histórico é basicamente o mesmo há 10 anos. Coisas novas vão surgindo timidamente e isso faz com que a cidade não tenha movimento nas ruas. Faltam pontos de atracção no centro e isso faz com que as pessoas procurem outros destinos pouco atractivos. Existem visitas guiadas à cidade a turistas estrangeiros? Os poucos turistas que vejo na rua parecem-me sempre um bocado perdidos. 

Uma cidade que enverga tanto ouro em Agosto tem uma pequena amostra de peças em exposição. O museu do traje é bastante humilde quando comparado com o orgulho que os vianenses  têm nas festas. Parece que a "chieira" é só 4 dias ao ano e é só nessa altura que se vende a romaria.

As praias vianenses são outro caso curioso. Depois de milhões provenientes de fundos comunitários gastos sem critério algum, as praias continuam com carência de equipamentos turísticos. Já tinha dito que a oferta, por si só, não cria procura e Viana precisa primeiro de aumentar a procura, para depois formular uma oferta que corresponda.

Estamos com um problema de identidade que tem de ser melhorado. Folclore e romarias vendem pouco e traz um tipo de turismo que consome pouco, suja muito e vai embora 4 dias depois. Viana precisa de uma oferta para os 365 dias do ano e não é assim tão complicado atrair investimento privado e criar condições para que a oferta turística aumente.