Venezuela: As Democracias musculadas e as falinhas mansas!

José Inácio Faria

José Inácio Faria

Eurodeputado do MPT

Desde um “regime híbrido” a uma “democracia musculada”, muitos têm sido os eufemismos a que os defensores do regime do Presidente Chávez, primeiro, e do Presidente Maduro depois, têm recorrido para definir a situação na Venezuela.

 

Na realidade o que se vive naquele País chama-se ditadura e as causas da dramática crise humanitária que afecta milhões de venezuelanos (e cerca de um milhão e trezentos mil portugueses e luso-descendentes) não se prendem principalmente com a descida do preço do barril de petróleo, mas sim com uma corrupção endémica que tornou daquele narco-Estado e com decisões políticas que, desde o Presidente Chávez, mais não fizeram do que delapidar a economia daquele que foi até há poucas décadas o País mais rico da América Latina.

 

Em Portugal, neste momento, apenas o Partido Comunista e uma parte da esquerda “bem pensante” insiste na defesa e branqueamento do regime, enquanto (finalmente) a desesperada situação que se vive na Venezuela entrou na agenda mediática e política.

 

Como durante muito tempo fui criticado por me pronunciar acerca de um País que não é o meu, não resisto agora a perguntar onde estavam a comunicação social e os partidos políticos com assento Parlamentar (Todos SEM EXCEPÇÃO) quando em 2015, antes das eleições legislativas, o regime perseguiu e prendeu opositores e inibiu candidatos de concorrerem a esse acto eleitoral? Onde estavam os órgãos de informação quando no ano seguinte estiveram em Lisboa, a meu convite, Mitzy Capriles de Ledezma e LeopoldoLópez para denunciar as prisões dos seus marido e filho, respectivamente? Onde estavam essas vozes que agora tanto se ouvem (do CDS ao PS passando pelo PSD) enquanto o regime minava os alicerces do Estado de Direito e a Venezuela galgava até ao lugar cimeiro dos rankings da criminalidade e violência urbana, tornando os nossos compatriotas as principais vítimas dos sequestros?

 

Depois das “eleições” da Assembleia Nacional Constituinte do passado Domingo de 30 de Julho, não reconhecidas (e bem) pela União Europeia, como é possível que o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros português se limite a considerar aquela farsa “um passo negativo”? Para quando a coragem política para defender a aplicação selectiva de sanções aos líderes do chavismo/madurismo e aos funcionários da burguesia bolivariana?

 

Termino, repetindo o que muitas vezes já escrevi e disse: Defender a Democracia não é uma forma de ingerência. É sim a nossa obrigação enquanto democratas!