Uso «abusivo de herbicida com consequências nefastas para o ecossistema e saúde pública» levam vereadores e deputados do PSD à Serra D’Arga

Na sequência da intervenção da bancada do PSD na Assembleia Municipal de 21 de dezembro último, na pessoa do deputado João Lages, os vereadores Liliana Silva, José Presa, Paulo Pereira, o mencionado deputado municipal e a deputada da nação Emília Cerqueira, deslocaram-se à União das Freguesias de Argas a fim de  reunir com os seus representantes para, em conjunto, dialogarem sobre o sucedido no verão passado no que diz respeito a uma intervenção levada a cabo com herbicida para combate à espécie infestante háquea-picante.

«É do conhecimento comum e internacionalmente assente que o vulgo herbicida é fortemente prejudicial ao meio ambiente, com malefícios incuráveis para a fauna, flora e para a saúde dos seres humanos» e as «repercussões na saúde pública resultantes da utilização e aplicação de herbicidas são irrefutáveis, estando na ordem do dia».

Os social democratas caminhenses admitem que é «com profunda consternação que assistimos à utilização massiva, num dos maiores ecossistemas deste concelho que é a Serra de Arga, de herbicida numa área que estimamos na ordem dos 500 hectares para combate à háquea».

A questão de fundo, alegam, e que é consentânea entre todos, não é da proibição ou não da utilização dessas substâncias, sendo, no entanto, «o uso massivo numa área tão extensa, com eliminação não selectiva de  todas as espécies de flora, é no mínimo intolerável».

Visita às Argas

«Irremediavelmente todo um ecossistema foi afectado e os danos são notórios a olho nu» - acusam com veemência.

«O mais absurdo é que é sabido que os meios mecânicos, não poluentes, que consistem na gradagem do terreno para quebra das raízes é muito mais eficaz, sem as consequências elencadas na saúde global».

Aliás, registam «que o herbicida, para além dos malefícios que encerra, é ineficiente, dado que é visível no local o reaparecimento da espécie invasora em grande escala, sendo certo que a intervenção tem poucos meses», pelo que «naturalmente, nada poderemos fazer para contrariar os malefícios do sucedido».

Realçam que «não podemos admitir que o edil da Câmara Municipal se demita da sua consciência e que ridicularize a situação, demitindo-se das suas funções de defesa dos superiores interesses da população».

Visita às Argas

Os social democratas reiteram que sabem que a utilização de herbicida não é proibida, mas «não aceitam que a Câmara Municipal não tenha tomado uma posição inteligente e crítica, opondo-se à utilização massiva de herbicida tal como sucedeu».

Assim, e porque é «nosso dever» de «honestidade e altivez política» trazemo ao debate público as questões que «entendemos de mérito», para que em conjunto com todos os interessados e intervenientes se possa, justificam, agir em conformidade.

«Fazemos saber que a questão foi reencaminhada para os órgãos institucionais responsáveis e que será comunicado ao Ministério Público para que se proceda à meritória averiguação das circunstâncias deste incidente» e, «por fim, mas não menos importante, agradecemos e saudamos os membros do Baldio e Junta da União das Freguesias de Argas o acolhimento e participação francos no debate de tão relevante matéria para todos.

O MINHO DIGITAL pediu um comentário - querendo - ao vice-presidente da Câmara Municipal de Caminha, Guilherme Lagido, mas até ao fecho desta edição não recebemos qualquer informação.