Um estranho esquema de contrabando nas fronteiras de Melgaço (1978)

Valter Alves

Valter Alves

Professor

O jornal espanhol “La Vanguardia”, na sua edição de 16 de Dezembro de 1978, fala-nos de um estranho esquema de contrabando que passava nas fronteiras de Melgaço. O jornal conta-nos que existiam milhares de cabeças de gado que eram transportadas em camiões vindos do sul de Portugal até à fronteira melgacense e depois passado para Espanha. Contudo, o esquema não ficava por aqui.

 

 Melgaço

Quando os camiões voltavam para o sul, iam carregados de gado doente para abater vindo de Espanha. Segundo a notícia, isso permitia aos envolvidos receber um subsídio que o Governo português dava na época aos proprietários nestes casos de gado doente com tuberculose que tinha que ser abatido...

A notícia conta-nos:

 

“Contrabando de ganado de Portugal a España

Lisboa, 15 - Millares de cabeças de ganado fueron en los últimos introduzidos ilegalmente en España procedentes de Portugal, informa hoy el matutino comunista “O Diário”.

Un enviado de dicho periódico recorrió la region fronteriza portugueza de Melgaço, lindante com la provincia de Orense, donde descubrió que el ganado robado a las unidades colctivas de producción (UCP) de la zona de intervención de la reforma agrária atraviessa todo el país, transportado en camiones, hasta aquella región norteña.

Alli es trasladado a España envehículos pertenecientes a conocidas figuras de la zona, que lo transportan a través de rutas de contrabando “muy familiares para ellos”.

La Guardia Fiscal portugueza asegura conocer las ramificaciones de la organización, pero reconoce la existencia de dificultades burocráticas y operacionales para desmontarla.

Según “O Diario”, el escándalo asume proporciones más graves debido a que los camiones que transportan ganado en buenas condiciones regressan llenos de reses viejas y enfermas.

Dicho tráfico seria un buen negocio debido a que el Gobierno portugués indeminiza a los proprietarios de reses tuberculosas, lo que no ocurre en España.”

 

 Extraído de: Jornal “La Vanguardia”, edição de 16 de Dezembro de 1978”.