Trump cumpre a palavra dada, mesmo que para isso ponha em risco o planeta

JorgeVERdeMelo

JorgeVERdeMelo

Consultor de Comunicação

Em 12 de dezembro de 2015, em Paris, 195 países incluindo os EUA com a subscrição do presidente cessante Barack Obama, acordaram na redução das emissões de gases com efeito de estufa. Apenas não foram incluídos a Nicarágua e a Síria por motivos particulares.

Já nessa data foram considerados como países mais poluentes, os Estados Unidos, a Índia e a China.

Em 1 de junho de 2017, Donald Trump anuncia a retirada dos Estados Unidos da América, do Acordo de Paris. Justifica ele, que o problema das alterações climáticas não passa de um embuste cuja contribuição está a custar uma vasta fortuna aos EU e, desligado do acordo, pode criar mais empregos para os norte-americanos. Aliás, já em 1997, no acordo de Quioto, (Japão), também a administração Bill Clinton discordou do protocolo pelas mesmas razões que defende Trump.

Na sua maioria, a comunidade global criticou esta atitude já esperada, do presidente dos EUA. Até o seu antecessor, Barack Obama, afirmou que “a administração Trump está a rejeitar o futuro”.

Afinal, para os menos atentos, quais são os reais problemas provocados pelo aquecimento global?

Fundamentalmente são prejuízos a longo prazo, megatendências ou tendências pesadas, acontecimentos poderosos com influência na modificação para pior, do estado futuro do planeta.

Têm três características básicas:

-  São observações registadas ao longo de décadas;

- Com impacto alargado em todas as regiões e atores;
- Causam transformações multidimensionais fundamentais em todos os subsistemas sociais.

Quer isto dizer que a natureza consegue, devido às agressões provocadas pelo Homem, modificar o planeta de tal forma que a sobrevivência evolua negativamente para condições cada vez mais difíceis até provocar o extermínio parcial ou total dos seres vivos.

Sejamos concretos! Algumas espécies estão em vias de extinção e outras já deixaram de existir por falta de condições fundamentais.

O aquecimento global tem provocado alterações climatéricas que interferem na produção alimentar. Por exemplo, a circulação termohalina que provoca as correntes marítimas, tem sido afetada pela alteração da temperatura e da salinidade das águas o que diminui as condições de sobrevivências à fauna e à flora marítimas, logo, a nossa alimentação piscícola vai-se extinguindo.

Assim como os degelos que acontecem no Ártico e no Antártico originando a alteração das marés e do nível das águas dos mares. Por exemplo, em 2005, o glaciar Larson B, uma plataforma situada na Antártida com 500 mil milhões de toneladas, desintegrou-se em menos de um mês. No Ártico, o glaciar Kangerdlugssuag, da Gronelândia, regrediu cerca de cinco quilómetros desde 2001.

Para fazermos uma ideia, esta região encerra mais de seis por cento da água doce do globo. Se ela derretesse, o mar subiria entre 1,2 a 1,5 metros o que significaria a extinção de parte de Nova York, Amsterdão, Veneza, grande parte do Bangladesh e muitos outros locais que simplesmente submergiriam. Mas estamos apenas a falar dos mares, agora se acrescentarmos as doenças e a instabilidade climatérica que já se vai fazendo sentir, pensamos que são motivos mais que suficientes para encararmos seriamente os problemas ecológicos.

Perante todas estas justificações, o Sr. Presidente Donald Trump acha que tudo isto é conversa fiada. Acreditam nele? Nós também não, até porque sabemos que os 22 senadores republicanos que o apoiaram nesta atitude, foram subsidiados nas últimas eleições por empresas do petróleo, do gás e do carvão em cerca de dez milhões de dólares.

Está justificada a posição política! Mais uma vez o dinheiro foi sobreposto aos valores incontestáveis da humanidade. Será que esta atual Administração dos EUA pode apregoar lições de democracia?