Temos médicos ou não?

Jorge Melo

Jorge V. E. R. de Melo 

Consultor de Comunicação

Anda por aí uma grande confusão quando se fala da falta de emprego para os nossos médicos. Reparem, existem profissionais em demasia como afirma Miguel Guimarães, Presidente do CRNOM, Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos.

Ele justifica esta situação por entender exagerado o “númerus clausus” de 1441 vagas em 2016/17 para os estudantes de medicina, segundo ele, foi superior às necessidades do país que devem rondar entre 1200 e 1300.

Há aqui qualquer coisa que não bate certo!

 

Se isso corresponde à verdade, gostaríamos de saber então porque existe tanta dificuldade em obter consultas no SNS, tanto nos Centros de Saúde como nos Hospitais.

Diz a Ordem dos Médicos que temos 5 médicos por cada 1000 habitantes. Se existe tal quantidade de profissionais, porque há tantos locais do país carenciados?

 Pelos vistos, a Ordem tem que impor a ordem estabelecendo regras para uma distribuição regional obrigatória mais proporcionada. Nem com tantos acordos Governamentais conseguem corrigir esse défice!

Segundo factos reais observados e sentidos por todos os vulgares cidadãos, parece que existe um claro problema de concorrência que resulta desta desumana medicina.

Quando a profissão deixa de ser exercida pelos princípios da vocação em favor dos valores monetários, as coisas ficam distorcidas e quem paga é sempre o utente.

Para entenderem melhor do que estamos a falar, acontece que no nosso país não há verbas disponíveis para empregar os médicos que saem das faculdades, mas fomentam um mercado milionário desses profissionais alugados à hora para cobrirem as exageradas falhas no Serviço Nacional de Saúde.

Neste momento estamos a desperdiçar cerca de 100 milhões de euros por ano no submundo da contratação desses médicos em empresas como: INSIDEPURPLE, KELLY SERVVICES, RADSTAD, HELPED, S24, MEDIPEOPLE e outras.

Estas empresas contratam a prestação dos seus serviços que depois alugam sem preocupação visível de competência ou vocação. Apenas lhes interessam os milhões de euros faturados.

Como é fácil de calcular, esta distorção ética pode traduzir-se em agravamento da qualidade profissional e da situação económica do país.

Não estamos a afirmar que temos maus profissionais de saúde, entendemos até por experiências internacional que estamos muito bem servidos. Consideramos estar num patamar superior em comparação com a maior parte dos países que experimentamos.  

É notória a necessidade de forte intervenção cívica já que os últimos governos se têm posto a jeito destas situações.

Onde estão os Sindicatos dos Médicos ou a Federação Nacional dos Médicos?

Será que vai continuar a acontecer aquilo que se tornou vulgar com os outros licenciados?

Os que sobram são obrigados a emigrar mesmo com tanta falta de profissionais na saúde.