Parabéns pelo trabalho de uma

A 12.ª edição do Doc’s Kingdom, sob a denominação de “Todas as Fronteiras”, começou no dia 20 de setembro e termina esta sexta-feira, 25, em Arcos de Valdevez. Modelo alternativo aos festivais de cinema, organizado pela Apordoc, Associação pelo Documentário (e coproduzido pelo Município arcuense), “chamou” realizadores conhecidos e jovens promessas. Programa, preenchido com 14 sessões e debates coletivos, visou estreitar a relação entre autores e público, cineastas e participantes.

Esta edição do Doc’s Kingdom, em estreia neste concelho e em toda a região norte, fica assinalada pelo protagonismo dado a Arcos de Valdevez. O evento abriu, em sessão bastante concorrida, com a exibição de A Toca do Lobo, o mais recente documentário de Catarina Mourão, neta de Tomaz de Figueiredo, e encerra esta sexta-feira com o filme A Dama de Chandor, da mesma realizadora.

A Toca do Lobo, película rodada parcialmente em Arcos de Valdevez, integrou a Competição Nacional do Indie Lisboa, tendo sido galardoado com o Prémio do Público para longa-metragem Fox Movies. “Antes de fazer este filme, o meu avô era para mim um desconhecido escritor, […] alguém que tivera muito pouca relação com a minha mãe”. […] Hoje, sinto que o conheço e tenho parecenças com ele”, disse ao DN a cineasta. Por “ironia” do destino e por “sinal de quase fecho de ciclo”, o Apordoc realiza-se, este ano justamente, em Arcos de Valdevez, como notou, na sessão de domingo, a realizadora nascida em Lisboa (em 1969).

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O referido documentário, de caráter biográfico e centrado na figura de Tomaz de Figueiredo, romancista, contista e poeta (que emprestou o nome à Biblioteca Municipal de Arcos de Valdevez e à Escola Secundária), desvenda, segundo a crítica, os segredos e as esperanças de um país amordaçado por um regime ditatorial.

Na insuspeita página do IndieLisboa, pode ler-se que “Catarina Mourão se tem afirmado como um dos olhares mais delicados do cinema português”: “um olhar [sobre Tomaz de Figueiredo,] que abre as portas dos netos [do escritor], tal como de uma família que se viu separada pela sua morte e marcada pelo dia a dia de um país ditatorial – um país duramente percorrido por quem escreveu sobre ele. Na sua antiga casa, vivem […] os acontecimentos que nos falam, hoje, por um quarto fechado à chave – um quarto aberto pela câmara da realizadora e pelo movimento deste filme: a nossa intimidade.”

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Nesta edição fora dos grandes centros, além de Catarina Mourão, têm estado em foco realizadores como Filipa César (portuguesa), Adirley Queirós (brasileiro), Eyal Sivan (israelita) ou Robert Kramer (norte-americano, falecido há 16 anos).

Para suscitar suspense, o alinhamento deste projeto intimista não foi revelado antecipadamente, pelo que o público que tem assistido ao seminário na Casa das Artes só em pleno auditório é que vai ficando a saber que filmes vão ser exibidos. Durante as várias jornadas, por volta das 18.00, têm sido organizados debates coletivos com “circulação da palavra” entre realizadores, convidados, estudantes, organizadores, voluntários e inscritos.

O diretor do evento, Nuno Lisboa, admitiu, na sessão inaugural, voltar futuramente a Arcos de Valdevez para realizar nova edição do seminário Doc’s Kingdom.