Salários baixos e autoemprego dominam mercado laboral nos Arcos

Baixo rendimento mensal e criação do próprio negócio (na decorrência da crise). São estas as duas principais características da atividade económica no concelho de Arcos de Valdevez.

Os dados compilados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que dizem respeito a 2014, não deixam margem para dúvidas. Contas feitas, os arcuenses levam para casa menos 83,8 euros do que os restantes trabalhadores do Alto Minho, menos 169,9 euros do que os assalariados da região norte e menos 295,9 euros do que os trabalhadores de Portugal Continental.

Segundo o estudo Anuário Estatístico da Região Norte’2015, do INE, cada residente arcuense, em média, naquele ano de referência (2014), teve um ganho médio mensal de 797,3 euros, enquanto um assalariado alto-minhoto auferiu 881,1 euros. Mas o desnível acentua-se ainda mais quando os indicadores comparam o mercado laboral de Arcos de Valdevez com o da região norte (onde cada trabalhador, em 2014, ganhou 967,2 euros mensais) e o de Portugal Continental (salário médio de 1093,2 euros).

Correlativamente, o concelho de Arcos de Valdevez apresenta um baixo poder de compra per capita, conforme estudo da base de dados Pordata, que reúne indicadores de 2013. O concelho arcuense, com 68,4% de índice de poder de compra, está a 25,5% de Viana do Castelo, a 12,3% da região do Alto Minho, a 23,6% da região norte e a 32,4% de Portugal Continental.

Estes dados comparativos permitem afirmar que há uma grande disparidade entre o rendimento obtido por um trabalhador de Arcos de Valdevez (comum aos restantes concelhos periféricos do distrito) e os indicadores regionais e nacionais, revelando, também, aspetos muito particulares, como a seguir se verá.

Também as conclusões do projeto Alto Minho: Desafio 2020 e do Plano de Desenvolvimento do Alto Minho (PDAM), do antigo governante Augusto Mateus, reforçam a ideia de que a folha salarial dos residentes no Alto Minho fica bastante aquém da dos trabalhadores de Portugal Continental, quando as taxas de desemprego, nesta região, até são inferiores à média nacional.

Inversamente, sem paralelo no contexto nacional, há 3% da riqueza produzida nos dez concelhos do Alto Minho com origem no setor primário (apesar do forte pendor familiar), através dos cerca de 19 mil postos de trabalho que emprega. Em cada cem indivíduos ativos na região alto-minhota, “15 exercem atividade agrícola, muito superior à média de Portugal, que é de oito”, compara Mateus.

Para saltar obstáculos, o ex-ministro da Economia desafia os agentes do Alto Minho a “tornar a região mais competitiva, mais conectada, mais atrativa e mais resiliente”, desígnios que só são exequíveis mediante “objetivos possíveis de concretizar”, defende Augusto Mateus.

Por força das circunstâncias, nos anos mais recentes, com o mercado de trabalho em agonia, cresceu o autoemprego, à “boleia” de pequenos negócios, a maioria dos quais nas áreas do turismo e da agropecuária, mas também estão a emergir empresas ligadas a serviços de condomínio, exploração de produtos e limpeza/conservação de espaços públicos. Mas não basta ser empreendedor para atingir o sucesso. Só com os parceiros certos e uma dose controlada de risco, associados a apoios financeiros consolidados e a produtos diferenciadores, é que estas empresas terão hipóteses de vingar. 

Além disso, na ótica dos eleitos locais, que apontam uma certa periferia e a reduzida competitividade de alguns setores como causas dos baixos salários, é preciso subir na escala de valor através da promoção da inovação e do conhecimento, que são vistos como âncoras do desenvolvimento da economia arcuense.