Rio Vez recebe em 2017 quatro grandes organizações de pesca desportiva

O rio Vez acolhe o Campeonato da Europa de pesca à pluma em maio próximo, sendo esta uma das quatro distintas organizações de pesca de competição a decorrer, este ano, no concelho de Arcos de Valdevez.

Figura de proa da modalidade é o presidente da Associação de Pesca Desportiva do Vez (APDV), que, no papel de “faz-tudo”, prepara o Campeonato da Europa, com a certeza de estarem “reunidas as condições para que este evento seja um grande sucesso”.

José Carlos Caçador Marinho, de quem se fala, tem 61 anos, é exímio praticante (ex-campeão nacional) e contabiliza vários títulos como selecionador de pesca à truta com isco artificial.

Em entrevista ao MD, diz que a pesca tem pouca cobertura mediática no desporto português porque “não vende” como no estrangeiro. Mesmo sem reconhecimento e sem profissionalismo, há vários pescadores nacionais (incluindo arcuenses) campeões europeus e mundiais.

Pesca no Rio Vez

Pesca no Rio Vez

A candidatura que a Federação Portuguesa de Pesca Desportiva apresentou, em parceria com a APDV, para que Arcos de Valdevez recebesse a organização do Campeonato da Europa de pesca à pluma, saiu vencedora. 

Como é que recebeu a notícia?

Recebi a notícia de forma entusiástica, mas sem surpresa. Nesta variante, é a primeira vez que Arcos de Valdevez acolhe tal organização, que, pelo número de pescadores, será da maior relevância. Estarão presentes os campeões do mundo de 2016, prova disputada nos Estados Unidos, em que Espanha venceu por equipas.

No entanto, é bom lembrar que Arcos de Valdevez tem um histórico recente de grandes organizações, nomeadamente o Open Internacional do Alto Minho, que se realizou nos rios Vez e Coura, com 64 pescadores, muitos dos quais estrangeiros e vários campeões do mundo.

O que é que terá pesado mais para a escolha de Arcos de Valdevez e do rio Vez?

Pesaram a experiência acumulada de três campeonatos do mundo no concelho e o facto de o rio Vez apresentar excelentes condições para a prática da pesca desportiva. É justo dizer que a Câmara Municipal tem sido um bom parceiro e um suporte importante para a divulgação da pesca desportiva de competição. De resto, a Federação Portuguesa de Pesca Desportiva também é parte interessada nesta realização.

Qual o plano de trabalho a desenvolver até à grande competição?

Sobretudo marcação de pesqueiros, orientação de pescadores e controladores, pequenas formações sobre espécies, medição em régua própria, devolução do peixe à água e anzol sem barbela…

Que metas antecipa para este Campeonato da Europa?

A exemplo do que aconteceu em campeonatos anteriores, temos todas as condições para que este evento seja um grande sucesso e abra portas a novas organizações.

O Alto Minho tem um conjunto de praticantes de alto nível. Da APDV quem é que pode “sonhar” com um brilharete?

Há pescadores, no nosso concelho, que têm representado várias vezes a seleção nacional de pesca à pluma, inclusive temos o campeão nacional de 2016, que é o Rui Domingues Pereira. Mas existem outros elementos capazes de lá chegar, casos de Aleixo Caldas e Manuel Pedroso. É, porém, muito difícil, pois há competidores internacionais 100% profissionais.

Que setores vão beneficiar desta grande organização nos Arcos de Valdevez?

Sobretudo a hotelaria, o comércio local e a promoção turística, através da divulgação do território de Arcos de Valdevez, que será visto em todo o mundo. Sendo um Campeonato da Europa, a cobertura será à escala global.

Vários praticantes arcuenses de pesca têm vindo a obter, consistentemente, um conjunto de excelentes resultados em grandes provas, mas sem o merecido reconhecimento público. A pesca desportiva é, ainda, uma modalidade de segunda?

Em Portugal, ainda acontece isso, apesar de haver revistas da especialidade há muito tempo. Mas, efetivamente, a pesca não tem a visibilidade que devia ter, até por termos campeões mundiais em várias vertentes de pesca desportiva. É um desporto que “não vende” como no estrangeiro, onde existem quatro ou cinco televisões a cobrir os grandes campeonatos.

A truta, diz-se, escasseia, cada vez mais, em rios como o Vez. Qual a sua perceção? 

É verdade que a truta rareia. Esta realidade resulta de vários fatores: pesca sem cumprir regras, quantidade de trutas pescadas para lá do limite, métodos de pesca, falta de fiscalização…

 

Pesca no Rio Vez

Currículo de José Carlos Caçador Marinho

. Como praticante, foi uma vez campeão nacional e, noutra ocasião, tornou-se vice-campeão nacional (pesca à truta com isco artificial). Esteve presente em quatro campeonatos internacionais como atleta/pescador (Andorra, Itália e dois nos Arcos).

. Como selecionador nacional (na referida variante), foi vice-campeão do mundo (através de um atleta do Penacova) e obteve um 3.º lugar noutro campeonato mundial (fruto da prestação do atleta da APDV, Fernando Fernandes). Orientou a seleção nacional em cinco campeonatos do mundo (República Checa, Polónia, Bulgária, Irlanda do Norte e Eslováquia).

 Pesca no Rio Vez

Grandes organizações nos Arcos durante 2017

. Prova do Campeonato Nacional de pesca à pluma em abril.

. Campeonato da Europa de pesca à pluma em maio.

. Open Internacional de pesca à pluma em junho.

. Prova do Campeonato Nacional de pesca com isco artificial em junho.