O meu amigo não assina, é

“Estalou o verniz” no seio da campanha eleitoral em Arcos de Valdevez. Depois de António Maria Sousa, autarca de Távora Santa Maria e São Vicente e, por inerência, deputado municipal, ter denunciado “a presença de vários funcionários da Câmara arcuense numa arruada em campanha pela coligação PSD/CDS-PP”, o presidente do Município passou ao contra-ataque, com alguma irritação à mistura. Mas não esclareceu em que circunstâncias é que estes funcionários integraram a comitiva do Portugal à Frente, remetendo a questão para a secção dos Recursos Humanos da Câmara Municipal.

“A campanha da coligação tem muita gente do passado, mas tem uma novidade que não gostei nada, que foi ver, no passado dia 16 de setembro, alguns funcionários da Câmara Municipal, em hora de serviço, a fazer campanha pela coligação”, acusou António Maria Sousa, que, diplomaticamente, elogiou a “grande capacidade da maioria dos funcionários municipais.” Exibindo uma foto para documentar a presença de vários funcionários na “caravana laranja”, o autarca do PS adiantou que esses funcionários “entraram [nos Paços do Concelho] às 9.00, largaram [o trabalho] às 10.00 para [fazerem] campanha até ao meio-dia e picaram às 12.30, tendo estado, portanto, de serviço ao trabalho apenas uma hora e meia”.

Na resposta, o edil João Manuel Esteves referiu que a “atoarda” do PS é um sintoma de que os socialistas “estão terrivelmente preocupados com a vivacidade e a participação das pessoas [do PSD]”, sinal de que as coisas na “campanha do PS não devem andar assim tão bem”, insinuou.

Mas, perante a insistência do grupo municipal do PS, com nova interpelação de Diamantino Portela, o presidente do Município sentiu necessidade de voltar à questão para desmontar a denúncia. “Não se preocupem, a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez tem uma divisão de Recursos Humanos que trata dessas coisas, o que tiver de ser há de ser, nós não fazemos como outros e não misturamos as coisas”, defendeu-se João Manuel Esteves.

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Conhecido por dizer o que pensa, sem “paninhos quentes”, o autarca de Távora Santa Maria e São Vicente voltou à carga para condenar a postura dos referidos funcionários municipais – “é muito feio andar a fazer campanha na hora de trabalho da Câmara Municipal” – e, devido à falta de explicações do edil e dos próprios funcionários (alguns dos quais membros da Assembleia Municipal), exortou, em termos irónicos, o edil a “dispensar os funcionários do PS” para que estes possam engrossar a arruada do partido no próximo dia 30 de setembro.

Na intervenção final sobre o assunto, o presidente do Município fez a defesa dos funcionários. “Não é bonito mandar vir contra os funcionários da Câmara, como se estes fossem um bando.” E atacou o denunciante, deixando uma metafórica profecia de morte. “O senhor [António Maria Sousa] é contra tudo e contra todos, não vale a pena ser ventoinha e mandar lama para toda a gente, um dia destes, tropeça, trinca a língua e morre de tanto veneno.”