PS-Arcos analisou resultados eleitorais em reunião “acalorada”

Após as ondas de choque que se seguiram ao mau resultado eleitoral de 1 de outubro, o PS-Arcos reuniu-se em assembleia geral de militantes no passado dia 17 de novembro. O debate interno teve momentos agitados entre as várias sensibilidades presentes.

Para a presidente da Concelhia Socialista, em final de mandato, tratou-se de uma “reflexão, por vezes acalorada, sobre factos passados e futuros”, com a preocupação de “procurar a convergência e a união à volta dos eleitos”, disse ao Minho Digital Dora Brandão, que se distanciou de destacados militantes do partido.

“Independentemente das escolhas que fizermos, todos os militantes têm de respeitar a assunção de deveres… E há certas pessoas do PS que continuam a rever-se no passado, no entanto, não podemos estar ‘agarrados’ a ciclos de há vinte anos, hoje, felizmente, existe gente nova a intervir, com outra formação e autonomia de pensamento”, preconiza a atual vereadora do PS.

Mas na dialética entre continuidade e rutura, a líder Dora Brandão foi, paradoxalmente, uma das principais visadas no encontro da semana passada. Segundo Fernando Cabodeira, depois da “derrota esmagadora” infligida pelos arcuenses nas últimas autárquicas, é “grave não haver uma introspeção por parte de quem foi a votos como cabeça-de-lista à Câmara em 2017, e como número dois de 1997 a 2009, para perceber porque é que as coisas correram tão mal nestas autárquicas”, acusa.

“Em vez disso, há subterfúgios e uma tentativa de caça às bruxas para esconder o pior resultado de sempre do PS nos Arcos de Valdevez”, reforça Cabodeira, que nega alguma vez ter feito oposição interna como foi “dito ou insinuado numa reunião da Comissão Política Distrital”.

“Desde 2015, fundamentalmente, que o PS não está a fazer uma política de inclusão partidária, mas de repulsa e de ostracismo, pelo que, em vez de atrair pessoas novas, está, sim, a afugentar quem poderia aparecer, daí a reduzida militância que o PS tem atualmente nos Arcos”, sustenta.

Fernando Cabodeira conclui que “é triste o momento que se vive no PS, mas a culpa, ao contrário do que querem fazer crer, não é dos vereadores eleitos em 2013 [Fernando Cabodeira e José Albano Domingues], que nunca se vergaram e sempre fizeram uma oposição construtiva e de cooperação, com o PSD a acolher a maioria das propostas do PS”, congratula-se Cabodeira.

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Eleições para a Comissão Política Concelhia

É já no próximo dia 19 de janeiro que os militantes do PS vão dizer em quem confiam para uma sucessão a Dora Brandão à frente da Comissão Política Concelhia. De um universo eleitoral de escassas dezenas de militantes ativos (cerca de cinquenta), é certo que quem conseguir congregar os autarcas de freguesia e os eleitos da Assembleia Municipal (onde nem todos são militantes) estará mais perto da vitória.

Até agora, Pedro Marinho foi o único militante a dizer que é candidato, mas o nome de João Carlos Simões pode estar na calha para assumir uma candidatura efetiva. De resto, para alargar esta corrente, “a mais recente militante do PS-Arcos de Valdevez”, Madalena Alves Pereira, é vista como uma mais-valia para a fação que engloba o jovem clínico.

“A Madalena, ao decidir transferir a sua militância para Arcos de Valdevez na noite dos resultados eleitorais, deu um sinal de novos tempos para o PS-Arcos e vai trazer mais dinamismo e mobilização”, acredita Dora Brandão.

Entretanto, segundo conhecido militante do PS, “a liderança que sair das eleições internas tem de iniciar, logo de seguida, um trabalho de auscultação nas freguesias, ser exímia na gestão de sensibilidades e reforçar as bases para preparar as autárquicas de 2021”.

Resta saber se as picardias e as feridas por sarar não terão repercussões políticas e pessoais no período pós-eleições.

Futuro mandato na ótica de três militantes

. "Estou em final de mandato. Acredito numa nova era. É muito importante a convergência”. (Dora Brandão)

. "Não me vou meter em nada, mas tenho os meus direitos e deveres (de reserva), que sempre respeitei. E estes mantêm-se inquebrantáveis”. (Fernando Cabodeira)

. “Tenho ambições e mantenho o objetivo de ser candidato à presidência do PS-Arcos”. (Pedro Marinho)