Presidente da Câmara de Arcos de Valdevez quer fundos comunitários desbloqueados

A visita do secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, à Poligal, no passado dia 27 de outubro, para assinalar a ampliação da multinacional espanhola, foi aproveitada por João Manuel Esteves para fazer pressão junto do governante, a quem foi pedido o desbloqueamento dos fundos comunitários.

Até ao presente, segundo revelou o presidente do Município, em reunião camarária, a edilidade arcuense “ainda não recebeu nenhum dinheiro proveniente de fundos comunitários e, no dia 1 de janeiro de 2017, entraremos no quarto ano do Quadro Comunitário de Apoio (QCA)”, queixa-se o autarca. Mas, paradoxalmente, a nível nacional, já foram libertados mais de 300 milhões de euros, em fundos comunitários, para estimular a economia.

Para o edil de Arcos de Valdevez, “é fundamental que se dê andamento ao QCA, que quase parece bloqueado, encontrando-se num estado em que são abertos concursos e, nalguns casos, não há aprovação de candidaturas, ou não existe uma decisão sobre as mesmas. E as que são aprovadas não têm seguimento em termos financeiros”, acrescenta.

Com o objetivo de desbloquear os instrumentos de financiamento, o autarca solicitou apoio à tutela “para que seja possível ter as nossas candidaturas aprovadas para o melhoramento dos parques empresariais e dos acessos à zona industrial das Mogueiras”, exortou João Manuel Esteves, que considera estarem “reunidas as condições para que isso venha a ser uma realidade, pois há empresas, investimento, zona industrial e vontade”, critérios que entram na equação final.

Paralelamente, o autarca insistiu na “importância de criar um simplex para reduzir o peso da burocracia, que, às vezes, atrapalha o licenciamento e as candidaturas a fundos comunitários”, e, no âmbito do reclamado tratamento diferenciado para os territórios de baixa densidade, voltou a defender “o reforço de incentivos fiscais e a abertura de concursos específicos para pequenos investimentos ligados ao comércio tradicional e ao turismo”. Segundo João Manuel Esteves, estes são desafios enquadráveis numa “verdadeira parceria com a tutela para criar emprego, gerar mais rendimento, fixar população e melhorar a qualidade de vida no concelho e na região”.

Na resposta, o secretário de Estado admitiu que, “cada vez mais, as câmaras são as principais parceiras na atração do investimento”, tendo João Vasconcelos destacado, como prioridade do Governo, “o estímulo ao investimento das empresas”.

Para o governante, “a mobilização dos organismos públicos tem vindo a acelerar o financiamento às empresas (o investimento destas aumentou 7,7% no primeiro semestre de 2016), de tal modo que passámos de 4 milhões de euros entregues até dezembro de 2015 para os atuais 330 milhões de euros, e, até ao fim do ano em curso, estarão atribuídos 450 milhões de euros às empresas para financiamento de projetos de investimento”, especificou Vasconcelos.

Presentemente, estão aprovados cerca de 6 mil projetos de investimento empresarial, a maioria dos quais centrados na internacionalização.

 2

Programa Capitalizar

A curto prazo, abrirá, o Programa Capitalizar, que “tem uma componente de financiamento, outra de apoio à reestruturação de empresas endividadas, e outra de incentivos fiscais à capitalização”, segundo explicou o secretário de Estado da Indústria. O programa será concretizado no Orçamento do Estado para 2017.

Neste âmbito, o Ministério da Economia anunciou, no passado dia 26 de outubro, uma linha de 200 milhões de euros para reforçar as estruturas de capitais das empresas portuguesas, bem como a adequação das condições de financiamento às Pequenas e Médias Empresas (PME).

Este Programa atribui cerca de 100 milhões de euros, aos quais acrescem os necessários investimentos privados, que, no caso destas linhas, são fundos de capital de risco, permitindo aumentar a diversidade de fontes de financiamento atualmente disponíveis às PME.

 

Números do tecido empresarial arcuense e futuros investimentos

.70: número de empresas albergadas nos parques empresariais de Arcos de Valdevez.

.2500: número de empregos diretos afetos às zonas industriais.

.35 000 000 (euros): volume do investimento privado ao abrigo do Programa COMPETE.

.300: postos de trabalho a criar no concelho (ramos automóvel, mecânica, plásticos, mobiliário e material de escritório).