Presidente da Câmara Municipal chama os emigrantes para as fábricas dos Arcos

“Temos uma imensa comunidade no estrangeiro que, eventualmente, poderá estar interessada em regressar e, felizmente, começa a haver oportunidades de emprego em Portugal”. O apelo de João Manuel Esteves foi feito na reunião de Câmara de 26 de junho.

O convite do edil – que surgiu a propósito do programa ‘Repovoar Arcos de Valdevez’ e das diligências que, em escala, estão a ser desenvolvidas no estrangeiro pela Associação Empresarial de Portugal – resulta das necessidades detetadas, localmente, sobretudo na área de “operadores fabris”, facto este que está a afetar grandemente a “Coindu”, especifica João Manuel Esteves.

“É uma questão que está a preocupar muito, não há gente para trabalhar nos Arcos e, portanto, há um desfasamento, ou, então, as pessoas não estão a ter conhecimento das coisas, pelo que temos de encontrar outras soluções”, revela o autarca.

Devido à falta de mão-de-obra nos Arcos para satisfazer as “bolsas” de recrutamento abertas nas fábricas, em parte consequência da forte vaga de emigração desencadeada pela crise, o grande desafio que se coloca, agora, aos agentes que estão a trabalhar no programa ‘Repovoar Arcos de Valdevez’ é atrair o regresso de arcuenses que emigraram durante a recessão, beneficiando, porventura, do débil contexto socioeconómico que se vive em certas geografias.

“Alguns dos últimos emigrantes que foram embora [a maioria destes com elevadas qualificações], se não tiverem um pai, um familiar ou alguém que os ajude, estão a viver situações muito complicadas… Uma pessoa que esteja a começar a trabalhar, em França, poderá ganhar à volta de 1500 euros (mês), ora este dinheiro, dado o nível de vida muito caro em Paris ou Bordéus, é praticamente o mesmo do que estar a ganhar, aqui, 500 euros!”, compara o presidente do Município arcuense.

João Esteves

Segundo João Manuel Esteves, “os pedidos de apoio à Santa Casa da Misericórdia de Paris, na área metropolitana da Capital francesa, não param de chover, literalmente. Acho que temos uma oportunidade de explicar a essas pessoas que vale a pena, pelo menos, começarem a pensar que, aqui, também há algumas oportunidades”, reforça.

Para fomentar o regresso dos jovens emigrantes aos Arcos, o Município pretende inspirar-se em modelos internacionais de repovoamento. “Como aconteceu no centro de França há alguns anos, nomeadamente em Clermont-Ferrand, é preciso dizer às pessoas, com ou sem formação, que podem vir e encontrar soluções. […] O que fizeram, em Clermont, foi atrair gente para as fábricas de pneus, por exemplo. É importante começarmos a ter estas preocupações também”, defende o edil.

Recorde-se que, em fevereiro deste ano, foi lançado o projeto ‘Repovoar Arcos de Valdevez’, com o objetivo de atrair e fixar população a partir de um programa assente em três pilares: criação de emprego, captação de investimento e geração de rendimento.

Mas, independentemente das conclusões que o estudo relativo ao programa ‘Repovoar Arcos de Valdevez’ vier a suscitar, há, desde logo, uma pergunta que muitos estarão agora a colocar no seguimento deste convite: ganhar 500 euros como operador fabril é, suficientemente, estimulante para um jovem (qualificado ou não) voltar às origens?