Poesia na Intimidade

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João Vilas

João Vilas

Professor

COMEZAINA DENTAL

 

Naquele banquete à inglesa

Onde comíamos à grande e à francesa,

Houve uma coisa bem inesperada:

Foi quando uma velhota japonesa

Tirou a dentadura amarelada

E a poisou de pé por sobre a mesa.

 

Aquela dentadura esplendorosa

Que parecia mover-se na toalha

Temperava a comida saborosa

Tornando-a apetitosa como palha.

 

Sem dentes p’ra roer, a japonesa,

Tirando da travessa a papa feita,

Louvando-se sorria p’rá francesa

Babando-se p’rá esquerda e p’rá direita…

 

Perante tal manjar “delicioso”

Roguei que queria ir ao WC…

Pirei-me da janela, cauteloso,

Mas acho que fiz bem. Que diz você?

 

E eu, homem valente e sem receio,

Sonhei com dentaduras mês e meio!

 

João Vilas, in Do Sublime ao Grotesco, p.65, 2ªEd.2009.

 

 

Autor:

João Vilas
Janeiro 14, 2018

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