Pescadores de Arcos de Valdevez questionam condições para concessão de pesca desportiva em troço do rio Lima

Um troço do rio Lima (margem direita), numa extensão de 5 mil metros, entre Ermelo e S. Jorge, passou a estar concessionado ao abrigo de um Regulamento Especial de pesca. Muitos pescadores, alegando degradação das condições de pesca, contestam o novo regime e manifestaram a sua insatisfação face à forma como o processo foi gerido nesta fase.

A Associação de Pesca Desportiva do Vez escapa às críticas, ao contrário das entidades que propuseram a concessão. Mas o Município de Arcos de Valdevez está recetivo a responder positivamente a algumas das solicitações dos pescadores.

A mudança de regime resulta das diligências feitas pela Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, que, através do gabinete de Proteção Civil Municipal, tem vindo a promover alterações na concessão de rios e afluentes com o objetivo, dizem os responsáveis, de fomentar a pesca. Mas os que praticam esta modalidade como (atividade de) lazer acham que a introdução do Regulamento Especial, pelo menos neste troço do rio Lima, foi “muito acelerado” e sentem-se marginalizados por o processo ter avançado sem criar, previamente, na zona concessionada melhores condições para a prática da pesca desportiva. “Nem repovoamento. Nem limpeza dos matagais. Nem criação de pistas de pesca. Nem ancoradouros”, dizem.

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Ainda segundo os pescadores contactados por este jornal, é “abusivo onerar os ‘utilizadores’ do rio com licenças adicionais num troço que não é dotado nem de uma pista de pesca convencional nem tão-pouco dispõe de infraestruturas de apoio.” E, em boa verdade, excluindo o aprazível parque de merendas de Vilarinho de Souto e a (lúdica) ecovia que margina o rio, nada mais existe para “chamar” os pescadores do concelho de Arcos de Valdevez, assim como de outras localidades (da Galiza também), que, com este novo regime, pagam 4,99 euros por jornada de pesca, o dobro dos residentes.

De resto, só depois de colocadas as placas (tabuletas) na zona concessionada para sinalizar a implementação do novo regime, e no seguimento das várias reclamações suscitadas, é que a entidade responsável e titular do respetivo alvará, leia-se Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, decidiu proceder à limpeza das áreas de pesca, cujos trabalhos estão em curso.

Entretanto, a concessão de pesca desportiva neste troço, de acordo com o vereador Olegário Gonçalves, visa “proceder a uma gestão ordenada” dos recursos aquícolas, “contribuir para o incremento do turismo no concelho” e “fazer cumprir a legislação aplicável na zona concessionada.”

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Segundo apurou o Minho Digital, em criando as condições ideais na área concessionada, os pescadores nunca colocarão objeções a este Regulamento Especial e aos princípios a ele subjacentes, mas, também de acordo com vários depoimentos recolhidos, fora as paisagens de rara beleza, quase tudo está (ainda) por desenvolver, nomeadamente os referidos investimentos (repovoamento de trutas, pista, ancoradouros, equipamentos de apoio), que são imprescindíveis para acolher a realização de provas de cariz regional, nacional e internacional.

De referir que, no seguimento do processo de negociação entabulado junto do ICNF, o Município arcuense delegou competências na Associação de Pesca Desportiva do Vez, que está especialmente vocacionada para a atividade. Por isso, as licenças para cada jornada de pesca naquele lote são adquiridas nas instalações da referida entidade, que, no futuro, chamará a si a agilização dos procedimentos conducentes à promoção da pesca nos troços concessionados.

Com a finalidade de operacionalizar o novo regime de concessão, a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez aprovou, recentemente, um apoio de 2500 euros à Associação de Pesca Desportiva do Vez, visando estabelecer uma parceria ancorada no saber-fazer, trunfo que a entidade presidida por José Carlos Caçador Marinho está em condições de assegurar.