O PASSIVO DOS CLUBES DE FUTEBOL

Jorge Melo

Jorge V.E.R. de Melo

Consultor de Comunicação

A propósito da gala do desporto lembramo-nos de vos salientar algumas questões que estão bem relacionadas com ele, mais propriamente com o futebol.

Sendo considerado por muitos como ”desporto rei”, neste momento podemos chamar-lhe ”desporto de passivos difíceis”.

Em todos os clubes reina a dificuldade de equilibrar a sustentabilidade mas nos chamados clubes grandes encontramos problemas económicos verdadeiramente disparatados.

Bem sabemos que a nível profissional, estamos a abordar uma indústria do espectáculo que vive das vedetas e por isso à custa de um investimento permanente, até porque a compra e venda de profissionais vem enriquecer ou empobrecer o clube.

Acontece que devido ao entusiasmo, os responsáveis, para defenderem a honra de quem ganha ou perde, normalmente esquecem-se de fazer contas e depois dá-se o desastre económico.

Por sua vez, os adeptos convencem-se de que o facto de o seu clube ganhar ou perder um jogo, confere uma relação direta com a sua dignidade e por isso justifica todos os sacrifícios, até a sua falta de presença no seio da família.

É aqui que as coisas se começam a complicar.

Temos que nos lembrar que se trata de um espetáculo e nada mais do que isso. As pessoas é que confundem a situação como sendo esse clube o representante da sua região, da sua forma de estar na vida ou simplesmente da sua cor preferida.

Estamos na presença de uma situação tão patética que nos leva a depositar toda a responsabilidade do nosso sucesso em indivíduos que nem sequer nasceram na nossa terra, não conhecemos de lado nenhum e que apenas nos merecem toda a admiração pela profissionalidade da sua atitude desportiva na defesa das cores do nosso clube.

Esta confusão é que baralha a mente dos adeptos e os conduz a tomar, por vezes, atitudes menos próprias que na generalidade das situações não têm qualquer razão para existir.

Por essas e por outras razões é que temos os nossos 3 clubes mais representativos da Liga portuguesa, segundo a UEFA, entre os vinte com o passivo mais elevado da Europa.

Então como é que eles resolvem os problemas monetários?

Simplesmente trocando e vendendo jogadores. Mas existem outras fontes de rendimento muito fortes, são elas:

-          Os direitos televisivos;

-          Os patrocínios;

-          Os prémios obtidos nas participações europeias;

-          A venda de ingressos;

-          E também as cotas dos sócios.

Mas a salvação de tudo isto ainda é a postura da UEFA que consegue impor mecanismos de controlo nas finanças dos clubes.

Claro que esta situação apenas favorece os clubes de topo porque todos os outros têm ainda mais dificuldades em controlar as situações.

O que entristece mais é a falta de adeptos presentes nos estádios. Apenas os grandes clubes conseguem trazer gente aos estádios, mesmo esses, só nos jogos mais importantes. Esta situação é mais visível no nosso pais do que em Espanha ou em Inglaterra o que ajuda a denunciar o desequilíbrio económico dos nossos cidadãos.

Por isso vai-se desenhando um fosso cada vez mais profundo entre os clubes de topo e os outros.

Mas os chamados clubes grandes registaram, na época anterior, facturações de 128 milhões para o Benfica, 99 para o Porto e 80 para o Sporting. Só que os gastos foram bastante elevados de 124,2 milhões para o Benfica, 121 para o Porto e 97 para o Sporting.

Ou seja, o Benfica consegue 3,8 milhões para abater à dívida anterior, o Porto acrescenta 22 ao passivo negativo e o Sporting acrescenta 17 ao défice anterior. Mesmo assim, com a compra e venda de jogadores o Benfica e o Sporting ainda conseguiram resultados de 63 e 59,5 milhões positivos mas o Porto teve 18,4 negativos.

Ficando os resultados passivos negativos destes clubes, em 438,3 milhões para o Benfica, 387 para o Porto e 311 para o Sporting.

Existe sempre quem ganhe com isto!

Mas porquê tanta popularidade se é uma indústria falida?

Autor:

Jorge Melo
Jorge Melo
Janeiro 19, 2018