O MUNDO ANIMAL

Manso Preto editorial

Manso Preto

Os animais vivem em luta constante, uns contra os outros. Por isso, a natureza deu a todos eles meios com os quais se defendem. Há animais que se defendem com os chifres (touro e veado, entre outros); os dentes (a onça, o cão); as patas traseiras (o cavalo, o burro); a cauda (crocodilo); a tromba (elefante); a cor com que mudam (camaleão)...

Certos animais entendem-se por meio de uivos e guinchos; o homem, por meio da linguagem articulada, isto é, por meio da palavra. O homem é o único elemento da natureza que tem o dom da palavra.

Aproveito a oportunidade para oferecer a gregos e troianos, situacionistas, reaccionários e revolucionários, guardiões da ordem vigente e pilares da sociedade, essa modesta contribuição à análise de cada um.

De outras espécies estamos cheios: transbordam e passeiam-se como pavões pelas ruas, por alguns ambientes sociais em busca de maior visibilidade, pelas repartições olhando para os utentes e seus contribuintes de cima para baixo, caem do céu, sobem da terra. É uma invasão: como animais que se defendem com o mau cheiro que exalam, mas que a prudência e educação me aconselham o silêncio. Mas usam e abusam dessa ‘arma’ eficaz que, pelos vistos, parece ser premiada neste país feito ‘Corte’ de arrivistas, dependentes, amedrontados ou inconsolados que esbracejam pela perdas de influência e mordomias de outrora. Atrevo-me a sugerir que os estrategas bélicos incluíssem esse importante meio de defesa/ataque entre as nobres armas que zelam pela Pátria.

Depois há, ainda, os animais que comunicam através de guinchos e uivos. Volta e meia recebo alguns telefonemas desses animais. Com ameaças, insultos, recados ou mensagens subliminares.

Mas também há homens que, mesmo discordando de mim, aceitam pontos de vista ou estilos diferentes. Porque só o homem tem o dom da palavra – repito.

E é através da palavra, é pronunciando-a clara e corajosamente, sem medo, que podemos a eles nos unir contra todos os animais que para sobreviverem exalam mau cheiro, mudam de feitio e cor, usam chifres e patas.

Animais que para sobreviverem precisam da força e da estéril tranquilidade que só a imbecilidade dá e sustém.