JÁ QUE ESTAMOS EM MARÉ DE RETIFICAÇÕES…

Jorge Melo

Jorge V. E. R. de Melo

Consultor de Comunicação

Já que estamos em maré de retificações, podemos aproveitar para colocar alguma ordem e disciplina nos procedimentos comerciais de várias entidades de vulto da nossa praça.

Devido à sua importância como empregadores, o Estado tem-se distraído com estes problemas, talvez se tenha contido até pelo volume de impostos. Neste momento estamos a entrar em exageros que roçam a desonestidade.

Senão vejamos:

- Temos verificado que a maioria das empresas de telecomunicações tem tido comportamentos menos corretos quando surgem anomalias nos fornecimentos. Continuam a faturar como se nada tivesse acontecido ou dão uma compensação irrisória para calar a boca ao cliente, como se fossemos todos atrasados mentais.

- Quando o cliente quer comunicar uma avaria decorrente da falta de competência da empresa, ele (cliente), tem que fazer uma chamada para o departamento técnico, informando da deficiência mas além de levar uma espera gigantesca, ainda tem que pagar, (ao minuto), essa chamada com valor acrescentado como se fosse um palerma que está para ali a perturbar e a fazer perder tempo.

- Acabam normalmente por transformar pequenos acidentes em grandes prejuízos. Não se lembram que para serem eficientes têm que ouvir permanentemente os clientes para corrigirem e assumirem o mais rapidamente possível, os erros que vão cometendo.

- Estabelecem regras de um dia para o outro desvirtuando o funcionamento do contrato assinado, alterando o valor da fatura e não dando qualquer justificação. Esta situação diminuiu bastante a partir da aplicação de Junho, do Decreto-Lei 15/2016. Mas isto não acontece apenas nas telecomunicações!...

- Se utilizarem minimamente os transportes coletivos, por exemplo, o Metro do Porto, vai acontecer-lhes algo, pensamos que inédito em todo o mundo; têm que pagar o valor do bilhete mais o valor do papel que eles utilizam para o validar.

Ah! Mais importante, se comprar um papel desses, carrega-o com as viagens que vai necessitar, mas se não o utilizar durante uns meses, arrisca-se a ficar sem o dinheiro, sem o tal papel e sem as viagens.

Isto é verdade e está a passar-se no Metro do Porto!...

Quando lhes dá na telha ou precisam de algum capital extra, resolvem mudar o modelo do papel e dali a uns tempos o papel anterior, pago pelo comum cidadão para ser utilizado quando necessário como certificado da viagem, deixa de ter qualquer valor, ou seja, compra-se uma mercadoria que funciona como as pedras de gelo, vão derretendo com o tempo e desaparecem.

Só que as pedras de gelo ainda deixam ficar a água que tem alguma utilidade, mas estes certificados para viajar deixam de servir para aquilo que foram criados restando apenas um bocado de papel que não serve para nada. Assim, a empresa resolveu trocar o modelo aproveitando a circunstância para desviar em seu favor o dinheiro dos utentes.

Nós pedimos desculpa se estamos a ser incorretos, mas quando se faz um negócio, só é negócio se tem interesse para as duas partes, vendedor e comprador, quando isso não acontece já não se chama negócio assumindo outras nomenclaturas mais insultuosas ou até criminosas. (Vamos repetindo este nosso lema, vezes sem conta, porque sentimos que está correto).

Como se trata de uma empresa que tem algum capital do Estado, fecham-se os olhos e lá vão escapando quase sempre à justiça, faz-se de conta que não se sabe de nada!...

Se quem dirige estas empresas pensa que é assim que consegue alterar o mau desempenho financeiro, aconselhamos que copie o que se passa de bom por esse país fora. Deixem de gastar verbas na ordem do meio milhão de euros em 2009 e quase meio milhão em 2015 com as Administrações que apenas sabem apresentar prejuízos.

Com a regra das respostas mecânicas, sem sentirem humanamente os problemas que vão causando às pessoas, não só ficam mal vistos no mercado como também provocam elevadíssimos problemas aos utentes e a eles próprios.

 É tão simples!.. Será que não conseguem estabilizar procedimentos sérios, honestos e com serviços eficientes?

Autor:

Jorge Melo
Jorge Melo
Dezembro 1, 2017

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