A importância do “Brexit” para os emigrantes portugueses que se encontram no Reino Unido

Jorge Melo

Jorge Melo

Consultor de Comunicação

Em primeiro lugar devemos saber o que quer dizer a palavra “Brexit”. Trata-se da fusão de duas palavras, “britain” que é o diminutivo de Grã-Bretanha, politicamente Reino Unido, e “exit” que significa saída. Este termo expressa então a saída do Reino Unido do acordo que ainda tem com a União Europeia.

Eles aderiram à Comunidade Europeia em 1973 sempre sem dispensarem a sua própria moeda, a Libra, nem aceitarem totalmente o Acordo de Schengen (livre circulação de pessoas e bens). Surge então uma posição unilateral da parte dos ingleses ao não aceitarem o tratado orçamental nem a gestão da migração, nem dos refugiados propostos pela União Europeia.

Prevendo esta postura por parte de alguns cidadãos britânicos, David Cameron, como primeiro ministro e líder do Partido Conservador britânico, resolve incluir no programa eleitoral de 2015 a renegociação do seu país com a União Europeia mas com a possível consulta popular no caso do resultado ditar a saída da UE, nunca pensando ele que isso iria acontecer. Sabia que não seria nada bom para nenhuma das partes pois ficariam com menos força para negociar qualquer acordo futuro com o resto do mundo.

A discussão assentava na perca de direitos sociais por parte dos emigrantes europeus e é aqui que os nossos emigrantes estão em perigo. Os pontos fulcrais da renegociação referiam: gestão económica, competitividade, soberania e relação dos benefícios sociais/livre circulação.

Ora como o “Brexit” ganhou, David Cameron teve que se demitir por não concordar com a saída da UE sendo substituído por Theresa May.

Cada cabeça sua sentença, temos então uma outra pessoa, agora a negociar a saída da Comunidade, ou seja, a situação é pior ainda do que aquela que se colocava anteriormente aos emigrantes portugueses.

Sabemos que o seu governo não quer meia saída, mas sim uma saída suave pois pretende continuar com economia aberta, principalmente no que diz respeito aos trabalhadores qualificados.

Demonstra ser inteligente, é que desta forma o Reino Unido não tem despesa na formação dessa gente, como acontece no caso dos emigrantes qualificados portugueses que foram pagos, em boa parte da sua formação académica, pelos cidadãos portugueses.

A primeira-ministra britânica confirma que mesmo assim vai existir um controle do número de emigrantes onde apenas sejam considerados os melhores e os mais qualificados.

Quanto à livre circulação de mercadorias diz que pretende ter acesso ao “Mercado Único” mas com parcerias estratégicas, embora continuem a colaborar nos negócios estrangeiros, no crime e no terrorismo. No fundo ela pretende um “hard Brexit” para o que interessa particularmente aos Ingleses e um “soft Brexit” para aquilo que é do interesse geral da União Europeia.

Por isso, caros emigrantes portugueses que confiaram o seu futuro a este país, estejam bem atentos ao que se vai passar porque é muito provável que venham aí leis separatistas e nacionalistas onde os trabalhadores emigrantes serão, com certeza, maltratados nos seus direitos.