A HONRA DOS PADRINHOS

Na edição anterior do Minho Digital (http://www.minhodigital.com/news/cr%C3%B3nica-de-uma-campanha-falhada-deu-sarilhos-em-fam%C3%ADlia ), começámos a desvendar uma enorme teia de interesses partidários e políticos que ‘capturou’ o Agrupamento de Escolas de Monção, mais precisamente a sua CAP (Comissão Administrativa Provisória). No mesmo dia em que o Presidente da Câmara Municipal será recebido em Lisboa pelo Ministro da Cultura e Ciência, após a decisão da autarquia em rescindir o protocolo com o MEC fixando a data de hoje para que seja homologado o recente sufrágio eleitoral decorrido na comunidade escolar, a nossa investigação vai um pouco mais além e traz novos dados suportados em documentos na nossa posse.

 

Ressalta, deste logo, um e-mail enviado por uma pessoa do Grupo Parlamentar do PSD às 9:16 horas de 23 de Abril de 2012 e dirigida a Joaquim Lobo Pereira (Monção) indicando como assunto ‘Agregação de Escolas de Monção’. «Aqui vai o documento que acabamos hoje, à uma da manhã. Vê se está bem, manda-me o despacho e dá notícias!!!» Em anexo, está uma carta com a mesma data e que é assinada por Carlos Abreu Amorim (actual cabeça de lista da Coligação), além de outros dois deputados. A referida carta (versão integral em anexo) de 3 páginas - e que o deputado não aceitou comentar para o nosso jornal - é dirigida a João Grancho, na altura Director Regional de Educação do Norte. O começo não poderia ser menos promissor:

«Na sequência das diligências que, recentemente, desenvolvi junto de V. Ex.cia, a propósito do processo de agregação de Escolas no Concelho de Monção, foi com enorme surpresa e muita apreensão que, este fim-de-semana, tomei conhecimento da mensagem que, entre a comunidade monçanense, está a ser divulgada relativamente aos resultados da reunião de trabalho mantida na passada sexta-feira, dia 20 de abril.

Porque se trata de uma situação com contornos de clara relevância política, tomo a liberdade de apresentar a V. Ex.cia um conjunto de elementos que considero significativos, tendo em vista a melhor solução para este processo de agregação».

1

Os signatários insurgem-se contra a aparente fuga de informações que terá caído dias antes na praça pública em Monção. Depois de várias considerações sobre as escolas locais, nomeadamente localizações e distanciamentos, encerramentos e áreas de intervenção,  o documento, no seu ponto 8, alerta o Director da DREN  para a vertente partidária.

«Independentemente da dimensão técnico-pedagógica e da respetiva fundamentação, valerá a pena considerar que esta é uma questão com uma forte componente política que, aliás, justifica a posição da Câmara Municipal de Monção, agora tão empenhada na manutenção dos 2.º e 3.º ciclos, uma vez que a Diretora do Agrupamento de Escolas Vale do Mouro é uma das líderes do Partido Socialista na zona, abertamente hostil à Direção da Escola Secundária, como será fácil de verificar».

E prossegue:

 «Noutro âmbito, considerando a conversa que, recentemente, tivemos na DREN, atrevo-me a sublinhar as vantagens de se acautelar, na constituição da futura Comissão Administrativa Permanente (CAP), um conjunto de critérios, nomeadamente, a experiência profissional, a relevância curricular, a representatividade de todos os setores (níveis e ciclos). A fim de se preservar, na medida do possível, o bom ambiente no seio da comunidade educativa, consideramos ainda que a CAP deverá ser constituída, exclusivamente, por docentes que façam parte do Quadro do futuro Agrupamento e que, apesar de incluir elementos do PS, conferindo-lhe um caráter abrangente, convém que ofereça garantias em termos de aplicação e promoção local da política educativa deste Governo, sem prejuízo para a estratégia política do PSD de Monção.»

A terminar e «na sequência de diligências efetuadas e ouvidas as estruturas locais, apresenta-se como boa opção o seguinte elenco». E de forma no mínimo surpreendente, o documento elaborado presumivelmente por Carlos Abreu Amorim dado ter sido o primeiro signatário, lança a gratificante sugestão para a CAP (Comissão Administrativa Provisória), a saber:

1.      Joaquim Lobo – atual Diretor da Escola Secundária, representando o Ensino Secundário (Presidente da CAP);

2.       Maria Amélia Novo – atual subdiretora da Escola Secundária, representando o 3.º ciclo;

3.       Sérgio Gonçalves – atual Diretor do Agrupamento de Escolas Deu-la-Deu Martins e Vereador socialista na Câmara Municipal de Monção, representando o 2.º ciclo;

4.       Joaquim Meira – representante do 1.º ciclo, pertencente ao Agrupamento de Escolas Deu-la-Deu Martins, que exerce funções na Educação Especial e foi Coordenador do EB1/JI de Monção, durante seis anos;

5.       Uma educadora de infância do quadro de estabelecimento pertencente ao atual Agrupamento de Escolas do Vale do Mouro, para representar o setor da Educação Pré-escolar, propondo-se a indicação da educadora Maria Ofélia Amoedo, atual Coordenadora do Conselho de Docentes da Educação Pré-escolar.

Joaquim Lobo, novamente para o mesmo endereço do Grupo Parlamentar do PSD, envia um e-mail às 11:25 horas do dia 25 de Maio e que evidencia o clima reinante: «Como fui eu que   nomeei em Janeiro este coordenador de pessoal que é do PSD, antigo presidente da junta de Pinheiros pelo PSD.Estão a atacar por todos os lados, só há uma funcionária da escola que não está comigo, ex coordenadora de pessoal. Anexo os documentos.Devem estar a chegar outras com o cunho da guida amaral. Já a metemos no Ministerio Publico como arguida.»

 Resposta dali a 8 minutos:  «Isto eu já sei... preciso é de ter novamente o documento que contém a proposta para a CAP. Vê se tens tu ou a Amélia e manda-me!»

Umas horas depois, Joaquim Lobo volta a enviar novo, claro e surpreendente e-mail para o Grupo Parlamentar do PSD:

«Conforme o pedido enviamos em anexo os nossos CVS. Como tinhamos os originais em casa, fizemo-los apressadamente pelo nosso registo biográfico.

Espero que seja útil, pois somos muito bons e boas pessoas ih, ih.

Pena que estas qualidades não se conseguem colocar no cV. Se achares

que faz falta mais alguma coisa diz».

 

O ambiente aparentava confiança e boa disposição a avaliar pelos ‘ih, ih’ de Joaquim Lobo que, sendo militante do Partido Socialista ‘passava’ informações aparentemente reservadas ao mais alto nível para o PSD, nomeadamente quanto à criação e controle de uma televisão regional. Uma fonte do PS confirmou-nos que «ele tem as quotas em dia, é o militante nº 70961, desde 31/07/2003». E como comprovam as fotos que apresentamos em baixo, Joaquim Lobo foi um ‘ferrinho’ nas sessões públicas do CDS na campanha eleitoral em que Abel Baptista se candidatou à autarquia de Monção. E padrinhos políticos era coisa que não faltava! O que move tanta … generosidade?

cds7

A seta aponta para Joaquim Lono Pereira, ex Director das escolas de Monção, actual presidente de uma das Associações de Pais/EE, presente num comício do CDS na eleições autárquicas de 2013. JLP é militante do Partido Socialista (nº709601) desde 31/07/2003 e com as quotas em dia.

cds6

Num comício do CDS, três professoras da escola na primeira fila.

cds5

Joaquim Lobo, de lado, na sede da campanha do CDS em Monção

cds4

De bandeirinha na mão, o Eng. Lobo. Militante do Partido Socialista, com o nº de militante 70961, desde 31/07/2003 e quotas em dia.

cds2

De polo azul, Prof. Meira nomeado para a CAP juntamente com Amélia Pires Novo. Era Vice -presidente. Chegou a ser presidente da Comissão Política de Monção do PSD.

De calças verdes, a sra. com bandeirinha do CDS, professora da escola e esposa de Joaquim Lobo.

cds1

Lançamento da candidatura de Abel Batista, no Solar de Serrade. Ao lado, Catarina de Jesus Batista Dias, nº 4 na lista à Assembleia de Monção/Troviscoso, funcionária da Escola de Monção, promovida a encarregada de pessoal não docente na Escola Secundária nomeada por Amélia Pires Novo.

cds3

Apresentação da candidatura. De polo verde: Luís Manuel Vaz da Cunha (candidato a presidente da junta) – marido de professora da Escola de Monção, elemento do Conselho Geral, Presidente da Assembleia Geral de pais/EE da Escola Secundária, encarregado de Educação de um aluno que é filho de um familiar. Não tem nenhum filho na escola. Tem sido um dos autores dos processos nos tribunais administrativos.

CURIOSIDADES OU COINCIDÊNCIAS ELEITORAIS ?

Assembleias de freguesia – Candidatos do CDS:

 

Bela – Luís Manuel Vaz da Cunha (candidato a presidente da junta) – marido de professora da Escola de Monção, elemento do Conselho Geral, Presidente da assembleia Geral de pais/EE da Escola Secundária, encarregado de Educação de um aluno que é filho de um familiar. Não tem nenhum filho na escola. Tem sido um dos autores dos processos nos tribunais administrativos.

Mazedo/Cortes – Manuel Fernando Caldas Oliveira (candidato a presidente da Junta) – professor da Escola de Monção. Actual presidente da Comissão Política do CDS de Monção.

Ana Ivone da Cruz Felgueiras Ribeiro (elemento da lista) – Sócia gerente da empresa Intereixo, empresa contratada pela escola de Monção para os cursos profissionais, actual e desde 2012 presidente da associação de pais/EE da escola Secundária de Monção, ex-sócia na empresa Tríade com Amélia Pires Novo e Carlos Novo (marido de Amélia Novo)

Monção/Troviscoso – Manuel António Serra da Ponte Rodrigues (candidato a presidente da Junta) – na altura professor na Escola de Monção. Actualmente não está colocado.

Cristina Maria Botelho Teixeira Ramadas (nº 3 na lista) – professora da escola de Monção.

Catarina de Jesus Batista Dias (nº 4 na lista) – Assistente Operacional na escola de Monção. Nomeada coordenadora dos assistentes operacionais por Amélia Pires Novo.

Elisabete Cardoso Rocha (elemento da lista) – Sócia em empresa com Américo Temporão Reis, presidente da direção da Associação Comercial e Industrial dos Concelhos de Monção e Melgaço, presidente da Assembleia Geral de uma das associações de pais/EE e que processou três encarregados de Educação, tendo-se já realizado o julgamento do qual resultou a absolvição de dois e a condenação de um que teve que o indemnizar em mil euros.

Longos Vales – Manuel Afonso Mendes (candidato a presidente da Junta) – Irmão de uma professora da escola de Monção. Cunhado do Luís Manuel Vaz da Cunha.

Tangil – Aurélio Esteves Alves (nº 2 da lista) – Marido de assistente operacional da Escola de Tangil, pertencente ao Agrupamento de Monção.

Nota: O CDS apresentou poucas listas às assembleias de Freguesia.

Câmara Municipal – Candidatos do CDS:

Abel Baptista (nº1) . Deputado e presidente da Comissão de Educação na Assembleia da República.

Maria Ofélia Pinto Temporão Igreja ( 9º lugar na lista) – Professora do agrupamento de Monção. Coordenadora de estabelecimento do centro escolar de Monção. Mantém-se no cargo que já vem do tempo de Amélia Pires como presidente da CAP.

Maria Isabel Gonçalves Martins Vilas Boas (13º na lista) - Professora do agrupamento de Monção.

 

Nota:

1-   Versão integral em anexo;

2 - Existem outros elementos ligados à escola na lista do CDS, quer sejam funcionários quer professores mas que não foi possível apurar até ao fecho desta edição do MD.