Eucarístia e procissão solene do Corpo de Deus e tradicional combate entre s. Jorge e a Coca

O Corpo de Deus/Festa da Coca, festividades do concelho de Monção, iniciaram-se há dois dias com Noite de Fados, conhecendo o ponto alto ontem, 15 de junho, com a Eucaristia e Procissão Solene do Corpo de Deus (17h00), pelas ruas do centro histórico, e o tradicional combate entre S. Jorge e a Coca (18h30), no anfiteatro do Souto.

O dia começou cedo com alvorada, 8h00, entrada de grupos de bombos, 9h30, e arruada da Coca pelas ruas da vila, 10h00. Um momento muito participado em que os pais trazem os filhos para conhecer e tirar uma fotografia com o dragão que, contas feitas, revela-se acolhedor e simpático. Pelas 11h00, no Cine Teatro João Verde, decorre a Cerimónia de Entrega de Títulos Honoríficos e Condecorações.  

À tarde, após entrada da Fanfarra Deu-la-Deu Martins de S. Tiago de Pias, marcada para as 16h30, celebrou-se a Eucaristia e a Procissão Solene do Corpo de Deus, pelas 17h00, onde participaram todas as cruzes e pendões das paróquias do Arciprestado de Monção, sendo um momento revelador de devoção e fé da população local. Quem acompanha o percurso e quem presencia dos passeios ou varandas.

Após o percurso pelas ruas da vila, a procissão recolheu à Igreja Matriz e as pessoas deslocaram-se em massa para o anfiteatro do Souto, onde teve lugar, pelas 18h30, o torneio entre as forças do bem e do mal. O povo dispõe-se em redondel enquanto o cavaleiro S. Jorge, representando o bem, e a horrenda figura de um dragão conhecido por Coca, representando o mal, tomam posições no terreno.

As cores berrantes e o tamanho do bicho provocam no cavalo certos temores que impedem ou dificultam a aproximação suficiente para S. Jorge desferir os golpes castigadores do mal. No interior, vai uma pessoa que movimenta a cabeça da Coca, contribuindo, ainda mais, para dificultar a tarefa do Padroeiro do Reino.

Entretanto, o público toma partido: pela Coca que este ano está a ser bem empurrada ou pelo S. Jorge que, fruto da experiência, consegue domar o cavalo perante os avanços do monstro. Com o decorrer dos minutos, o “combate” provoca a boa disposição na assistência que premeia com palmas as boas provas de um e de outro num claro sinal de independência.

O torneio demora o tempo que leve ao cansaço dos participantes ativos ou vença a habilidade de S. Jorge concretizado na certeza dos golpes desferidos na "pobre" Coca que todos os anos, por uma ou outra razão, tem de ser restaurada pois lhe faltará a língua ou as orelhas.

S. Jorge vence se cortar uma orelha e introduzir a lança, por três vezes, nas goelas da Coca. Reza a história que, em caso de vitória do cavaleiro, haverá um bom ano agrícola com muito e bom Alvarinho nas adegas e nas mesas. Se a vitória sorrir à Coca, aproximam-se tempos adversos e muito dificeis.