DESASTRADA ECONOMIA

Jorge Melo

Jorge V.E.R. de Melo

Consultor de Comunicação

Todas as atitudes exigem equilíbrio e ponderação.

Os nossos governantes têm poupado tanto que acabaram por provocar as desgraças que têm acontecido nos últimos tempos em Portugal.

Podem tentar debitar culpas: ao bombeiro, ao construtor, ao banqueiro, mas a verdade nua e crua está no resultado das atitudes generalizadas dos últimos governos, “os cortes desmedidos em quase tudo que não lhes diga diretamente respeito”.

 

 

Conhecem a história do Sr.º Sovina e do burro? Eu vou lembrar-lhes:

- O Sr.º Sovina tinha o vício de poupar em tudo para conseguir amealhar mais capital.

Ele tinha um burro que era o elemento fundamental para o seu sustento. Então, um dia lembrou-se que poderia diminuir alguma palha e água na alimentação do burro e assim obter mais lucro.

Como o burro não se queixava, o Sr.º Sovina achou que podia diminuir mais um pouco e assim sucessivamente até que o burro deixou de comer ficando ele satisfeitíssimo. Só que passados poucos dias o pobre burro morreu de fome e com ele a sua fonte de rendimento.

Este exemplo traduz, com algumas coincidências, as atitudes dos nossos governantes nos últimos anos. Eles foram tirando tanto daquilo que é fundamental para a vida dos portuguese e do país que acabaram por nos colocar nesta situação indefesa.

Não é exagero! É que ao cortarem nos orçamentos de quase tudo que não prejudicasse diretamente as suas mordomias, como por exemplo: na manutenção dos hospitais, fiscalização dos poluidores, na vigilância dos rio e das matas, nos ordenados, nas carreiras profissionais, nas reformas, etc.

Provocaram assim o abuso das amplas liberdades democráticas esquecendo uma atitude fundamental que se chama “disciplina”.

Quando mencionamos mordomias dos “Senhores políticos” podemos dar alguns breves exemplos:

- As Ajudas de Custo para todos os cargos políticos são regulamentadas pela Portaria nº 1553-D/2008 que fixa por dia 69,19 € para as deslocações em Portugal e 167,07 € para deslocações ao estrangeiro. Lembro aqui que estes valores não estão associados: nem aos transportes, nem ao alojamento nem ás refeições. Tudo isso é pago como acréscimo (mordomia) aos respetivos vencimentos.

-  A Subvenção Mensal Vitalícia foi criada pelo governo central de 1985, sendo responsáveis na época Mário Soares e Mota Pinto como Primeiro Ministro e Vice-Primeiro Ministro respetivamente. Regulamentada pelo artigo 24º da Lei nº 4/85 com o objetivo de compensar os anos de serviço público prestados pelos titulares de cargos ou funções públicas durante oito ou doze anos, após o 25 de Abril de 1974.

Só esta última mordomia, entre 2001 e 2010, custou ao país 80 milhões de euros. Mas atenção! A partir de 2011 foi sempre a aumentar escandalosamente até 2017. Qual crise!...

Estas Portarias e Decretos-Lei, são regulamentados por eles, (políticos), para benefício dos próprios, ou seja, um abuso do poder em benefício de quem as elabora e dos seus acompanhantes.

Não esqueçamos que em determinada altura diminuíram aos ordenados e às reformas das pessoas honestas e trabalhadoras colocando imensas famílias sem capacidade para cumprir obrigações nem compromissos. Desastrada economia!... 

Com estas atitudes agravaram de tal forma a crise que acabaram por provocar uma situação de rutura com muitos milhares de pessoas no desemprego. Assim, imensos cidadãos ficaram sem lar por incumprimento dos alugueres ou das prestações da habitação, acabando por ir viver na rua ou em casas de familiares ou amigos.

Mas como os bancos deixaram de receber os débitos dos seus clientes, ficaram sem possibilidades de também cumprir os seus compromissos. Nesta roda do capital, o próprio capital ficou sem matéria prima para continuar com as suas aplicações aventureiras acabando também na banca rôta.

Foi um desastre total para a economia nacional, como é possível fazer tanta maldade à população em favor de algo chamado (economia), embora o verdadeiro nome desta, seja (dinheiro).

Reparem que não estamos a mencionar os baixos rendimentos do trabalho de cada português porque se fossemos por aí teríamos que lembrar os milhares de licenciados e trabalhadores especializados cuja formação, tão dispendiosa ao cidadão, os colocou no desemprego. Essa situação, precipitou-os na emigração quando fazem tanta falta ao país.

Só com alguma disciplina se consegue o tal equilíbrio idêntico aquele com que a natureza nos brinda na sustentabilidade da VIDA.

É tão simples como isso, “Senhores Políticos”, não há segredos, “equilíbrio e ponderação”, basta copiar a natureza. Se a contrariamos, mais cedo ou mais tarde vamos pagar caro o mal que lhe fizemos.

Não foi isso que aconteceu?