Deputado do PSD ataca Câmara Municipal de Arcos de Valdevez

O deputado municipal Manuel Barreira da Costa, eleito pelo PSD, teve uma intervenção contundente na última Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez, visando a inércia do Executivo Municipal (também social-democrata), devido à falta de alarmes prevenindo os pescadores das descargas feitas nas barragens de Soajo/Lindoso e de S. Jorge/Touvedo. Acusou, ainda, a autarquia de “discriminar” pescadores da margem direita do rio Lima, face aos preços praticados no âmbito da licença especial diária, desde que o troço que margina com a Ecovia de Ermelo passou a ser concessionado.

“Há um ano vim, aqui, a esta tribuna defender a necessidade de a Câmara Municipal fazer uma pequena pressão junto da EDP no sentido de ativar avisos [alarmes] prevenindo as descargas das barragens, […] pois estes (avisos) são importantes, visto que há descargas quase diariamente. Lembro que já morreram três pessoas por causa das descargas”, recordou o antigo presidente da Junta de Freguesia de Soajo, que, à pergunta, se a solicitação – feita em 2015 – evoluíra favoravelmente, acabou por não receber nenhum esclarecimento por parte do Executivo.

Entretanto, o mais recente “pomo de discórdia” resulta do loteamento do troço que ladeia a Ecovia de Ermelo, sem que tivessem sido criadas, aí, até à data, efetivas condições para a prática da pesca, excluindo algumas limpezas, muito descontínuas, enquanto o reclamado repovoamento de trutas está ainda por fazer. Também não há pistas convencionais de pesca nem ancoradouros.

“Lamento muito que, depois de termos dado os terrenos para as barragens, tenhamos ficado, este ano, sem pesca, pois não se pode pescar na albufeira de baixo, a não ser pagando 2,5 euros (valor da licença especial diária), enquanto em Ponte da Barca se paga 50 cêntimos. E ainda temos de ir a Arcos de Valdevez pagar a licença [para cada jornada de pesca] e, no caso de chover, nem sequer poderemos ir pescar”, queixou-se Manuel Barreira da Costa.

2

2

E, no mesmo tom, prosseguiu. “É uma grande discriminação e a Câmara Municipal devia ter em conta esta situação. Não sei se a Câmara Municipal recebe algum dinheiro [renda] pela construção das barragens… Acho que vocês não se podiam deixar levar… porque há muitos jovens e menos jovens que estão furiosos… Na minha freguesia [Soajo], estão furiosos. Acho que nem sequer deram a saber tal coisa às freguesias de S. Jorge, Ermelo e Soajo. Portanto, fizeram isto à revelia de toda a gente. Acho que o senhor vereador Olegário Gonçalves deveria ter mais cuidado e ter em vista a nossa situação de pescadores”, exortou o deputado, que, no entanto, recebeu a garantia de que, no próximo ano, haverá, nas duas margens do Lima, uma convergência de preços relativos à licença especial de pesca, ficando-se por saber, porém, se os valores em prática na margem direita serão revistos em baixa ou se os montantes tabelados em Ponte da Barca sofrerão um aumento.

Em jeito de desafio, o antigo autarca exortou o Município a “ter isto em conta, pois não é só chegar a Soajo e dar-nos canetas e isqueiros”, criticou, avisando de que “haverá eleições [autárquicas] para o ano”, estando, por isso, na altura de os responsáveis políticos municipais trabalharem em prol da “qualidade de vida de Soajo”, que, “neste momento, não é nenhuma!”, sentenciou.

No “remate” da sua intervenção, Manuel Barreira da Costa deixou uma certeza. “Vamos protestar contra isto até ao fim.”