DEMOLIÇÃO DO PRÉDIO COUTINHO

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José Andrade

Reformado

Que raio de coisa deve ter feito, ou terá feito, o senhor Coutinho, que deu nome ao prédio que se tornou um sério problema de consciência de uns quantos Vianenses?

Sim, só gente com um insondável e perturbante problema de má consciência, gente psiquicamente doente, com amarguras recalcadas, é que se atiraria contra um vetusto prédio, tentando demoli-lo. Gente sem alma, sem lei, sem valores morais e respeito humano. Gente pequenina, que na sua pequenês, se sente vingada por ver tão altaneiro marco de uma época vianense. A altura do prédio deve ser, para essa gente, um sério problema que lhe ensombra a alma, a vida.

Não creio que esta sanha demolidora, quer da parte dos ditos partidários socialista, quer de muitos laranjinhas que, silenciosamente, ou disfarçado os acompanham, tenha motivos estéticos. Se calaram quando o senhor Coutinho avançou com os seus cobres para cobrir as vaidades autárquicas de então, porque se enfadam agora em vingar o desinteresse, ou ‘novo-riquimismo’ vivido? Tiveram medo? Medo do poder autárquico?

Dizia, ou melhor, cantava a Amália, ‘Havemos de ir a Viana’. Versos de uma canção que era a celebração de um modo de ser e estar das gentes do Norte, das gentes de Viana do Castelo, a sua alegria, a beleza – já então com o prédio Coutinho erguido – a sua fantasia.

O feroz ataque contra a prédio Coutinho, a violência psicológica contra aqueles que ali vivem, ou viveram, a ofensa ao direito de propriedade, elementar num país que se diz democrático, moderno, evoluído, europeu, é também um ataque ao mais elementar direito humano, o direito a viver com segurança, sem perseguições, num espaço seu, no seu lar. Foi um lar, foi a sua casa, é a sua casa, aquilo que lhes querem tirar, só porque um dia, um senhor, que por acaso até lá viveu, para mostrar que mandava, ou melhor, sabia obedecer aos seus chefes partidários de Lisboa, tudo e toda a sua vida com o vianense, e vizinho, mandou pelo cano abaixo.

Dizem-me que agora, depois dos tribunais se esquecerem de fazer respeitar o direito a casa própria, o que pode faz atrasar o cumprimento de uma sentença injusta, é um casal de aves. Louvado sejam as avezinhas que tal desiderato conseguem, já que aqueles que em seu nome, os ditos ambientalistas, esses, continuam mudos, calados, respeitosos, medrosos, ou simplesmente ‘avençados’.