Concelho de Arcos de Valdevez tem a mais baixa taxa de natalidade do distrito

Há cada vez menos bebés no concelho de Arcos de Valdevez. Nos últimos anos, apesar de uma ligeira melhoria em 2014, tem sido acentuada a queda da taxa bruta de natalidade (número de nados-vivos que nascem anualmente por cada mil habitantes num determinado território).

Há muito tempo que o diagnóstico está feito. A taxa de natalidade sofreu um “trambolhão” com a crise económica e com a debandada (grande vaga de emigração) de muitos casais e jovens em idade fértil. Os números não deixam margem para dúvidas e refletem isso mesmo: em 2010, a taxa de natalidade, neste concelho, foi de 6,2 nados-vivos por cada mil habitantes e, em 2015, cifrou-se em apenas 4,9 (nados-vivos), muito aquém da taxa média em Portugal, que, há dois anos, foi de 8,3. E também ficou atrás da taxa de natalidade verificada, em 2015, no Alto Minho, que foi de 6,6 nados-vivos, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE). O pódio distrital é constituído por Viana do Castelo, com 7,6 nados-vivos por mil residentes, Ponte de Lima (7,2) e Valença (6,8).

Concretizando, em 2010, nasceram, nos Arcos, 143 bebés e, em 2015, foram apenas 107 (53 meninos e 54 meninas), ou seja, menos 36 nascimentos no espaço de cinco anos. Em termos absolutos, pode não parecer muito, mas, se tivermos em consideração a dimensão da população, este é um dado muito relevante. Trata-se do mínimo histórico desde que há estudos estatísticos (o recorde de nados-vivos registados neste concelho remonta a 1960, com 935 bebés).

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Em relação ao número de óbitos, verificaram-se, no concelho arcuense, 376 falecimentos em 2015, ou seja, um saldo natural negativo de 269 indivíduos neste ano de referência. Esta discrepância – que resulta da quebra da natalidade, do aumento do índice de envelhecimento e da diminuição da imigração – é um impedimento irremediável à reposição de gerações e ameaça a sustentabilidade económica, pois a população arcuense, em idade ativa (dos 15 aos 64 anos), tem vindo a regredir – em 2014, este índice era de 57%, menos 3,2% do que em 2001.

Ainda segundo os dados do INE, também referentes a 2015, Arcos de Valdevez tinha, então, 21 753 habitantes (muito menos do que os 23 046 registados em 2010) e, destes, apenas 627 tinham até 14 anos, enquanto a população sénior (65 e mais anos) contava com 6927 indivíduos. Consequência disso, o índice de envelhecimento (número de idosos por cada cem jovens) em Arcos de Valdevez tem vindo a aumentar de ano para ano, superando largamente os indicadores da região e de Portugal. Em 2015, havia, neste concelho, 302,2 idosos (208,1 em 2001) por cada cem jovens, um índice muito mais preocupante do que a média registada no Alto Minho (195,2) ou em Portugal (143,9), sendo certo que o envelhecimento é, também, fruto da melhoria dos cuidados de saúde, daí resultando um aumento da esperança de vida.

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Os números globais evidenciam três realidades incontornáveis no concelho de Arcos de Valdevez: baixa natalidade, despovoamento do território e envelhecimento demográfico. Para dar a volta a este quadro “negro”, os partidos com assento na Assembleia Municipal têm preconizado políticas de promoção da natalidade e da demografia. Nelas, incluem-se, eventualmente, incentivos ao regresso da população que abandonou este concelho e medidas de atração de pessoas para “aliciar” os futuros pais.

Com ou sem incentivos diretos à natalidade, a lógica tem de passar pela criação de condições favoráveis à fixação de pessoas através da desoneração fiscal, do reforço de políticas socioeducativas e da captação de mais investimentos.