Este tipo de iniciativa é

O nosso estimado Amigo e Colunista que vive no Rio de Janeiro, Brasil, António Joaquim Coelho da Cunha, foi honrosamente nomeado ‘ASSOCIADO HONORÁRIO’ do  Rotary Club RJ Leblon/Gávea.

O Minho Digital conseguiu ter acesso ao seu discurso de agradecimento, cheio de emoção e sem esquecer as origens humildes em Portugal, onde nasceu, até se tornar num próspero empresário em Terras de Vera Cruz onde tem uma vida social intensa e publicamente reconhecida em prol de boas Causas.

Antonio J. C. da Cunha

INTERVENÇÂO DO HOMENAGEADO

Companheiros Fernando Puglia de Azevedo, Presidente do RCRJ Leblon-Gávea; Pedro Caruso, Protocolo desta Assembleia, Guilhermino Cunha, Governador Distrito 4570 2018-2019; Dora Sodré, minha afilhada em Rotary e Presidente do RCRJ São Conrado, Governadores: Guilherme Barbosa e Mônica, José Roberto Lebeis e Lindinha; companheiros do RC RJ Leblon-Gávea, RCDC JD Primavera; RCRJ Lagoa, RC Rio de Janeiro; RC Duque de Caxias:

Confesso-me honrado com tamanha distinção a de ser homenageado pelo Rotary Club Leblon/Gávea. Tal honraria dá-me a certeza de que vale a pena oferecer um pouco das minhas atividades em favor do próximo. E por mais humildes que sejamos em considerarmos que nossa dádiva é pequena diante

de tantas necessidades sociais e dos inúmeros projetos no Distrito, há sempre alguém para notar que, de alguma forma, estamos tentando fazer a diferença. O que nos atribui algum valor e nos dá consciência de que nossas ações, de alguma forma, contribuem para o bem do mundo em que vivemos.

Donde se pode afirmar que: “QUEM NÃO VIVE PARA SERVIR, NÃO SERVE PARA VIVER”.

Dizem que há pessoas que nascem com muita sorte; outras, com pouca sorte. Contudo, o que aconteceria se cada um de nós pudesse, de fato, influir no seu destino, Não há dúvida de que o principal responsável pela motivação na vida de cada indivíduo é ele mesmo.

Essa tarefa não pode ser delegada para ninguém. Não assumir a responsabilidade pela motivação é, ao mesmo tempo, frustrante e pouco inteligente. É frustrante porque, uma vez que não dependemos dos outros para estarmos motivados, temos mais chances de alcançarmos a motivação.

Também é pouco inteligente porque deixar o controle de algo tão importante nas mãos de outra pessoa é simplesmente um absurdo.

Mas desejo contrariar essa regra ao afirmar-lhes ter recebido motivação para o sucesso através de muitas pessoas com as quais tenho convivido.

Eu, Antônio Joaquim Coelho da Cunha, cuja apresentação farei no transcorrer da minha fala, não seria justo se não atribuísse grande parte dos estímulos às dezenas de amigos conquistados em meus 77 anos de existência.

Quando criança fruto das dificuldades da região, ainda assim consegui destaques ao realizar meu curso primário com distinção, ao tornar-me “pseudo sacristão” do Padre Francisco Pinheiro, pároco da Freguesia de Geraz, auxiliando-o na celebração das missas, no tempo em que as orações eram pronunciadas em latim. E eu as decorava com facilidade e as reproduzia nos momentos adequados.

As palavras de hoje, nesta tribuna, são para uma declaração de que o trabalhar para o bem social sempre nos traz excelentes resultados, principalmente na conquista de boas amizades o que devo considerar grande fortuna. Ter boas amizades e receber homenagens de honra significa ter a certeza de conduta digna e exemplar. E isso me traz orgulho e muita satisfação.

Nasci em 1940 numa aldeia ao Norte de Portugal, onde, naquele tempo, as condições eram totalmente rurais. Não tínhamos energia elétrica, nem água tratada nem esgoto, ou quaisquer outros avanços próprios das comunidades mais promissoras. O que sobrava alimentava animais ou voltava para a terra

em forma de adubo.

Meu pai que tinha nome de ABÍLIO DA CUNHA era carpinteiro. Um dos melhores carpinteiros da região. Minha mãe, de nome LIDIA COELHO, de origem doméstica, vinha de família abastada, mas que vivia de actividades agrícolas, com a produção de azeite, vinho, milho, frutas, verduras, flores, e foi orientada para tornar-se uma costureira que atendia às famílias da região.

Um dos tios de minha mãe, irmão de minha avó materna, foi ordenado sacerdote e, na condição de padre, conquistou prestígio.

Indo além do sacerdócio, aplicou-se, como inventor de instrumentos agrícolas e, como apicultor, na criação de abelhas e na produção de mel, tornando-se autor de um livro sobre apicultura – Criação de abelhas e produção de mel.

Devo a minha mãe e a minha avó materna a maior parte da responsabilidade pelo meu sucesso. Elas, talvez influenciadas pelo trabalho sacerdotal do Padre José Carlos Valle Rego, sempre se preocuparam com o social, pelas belas maneiras de comportamento, e criaram em mim, pela educação, a importância da motivação pelo sucesso.

Colhi de Um livro de Paulo Viriato “Meu Caminho Para O Rotary”, um capítulo que se assemelha às minhas origens:

“Em certo dia estava uma criança nascendo. Tudo o que ela olhasse passaria a integrar-se nela: Por um momento, por um dia, por um ano ou através do tempo Os lilases floridos se incorporaram na sua sensibilidade. A relva macia e verde, as manhãs ensolaradas. Os cravos brancos e os vermelhos. O canto mavioso e terno dos passarinhos. Os cordeirinhos traquinas e os grunhidores e rosados leitõezinhos. Os

potrinhos e os bezerros brincando de correr. As ruidosas ninhadas no terreiro...”.

Essa criança poderia ter sido eu!

Deixei minha terra natal, um vale entre montes, onde os horizontes eram limitados, no dia 26 de dezembro de 1954. Chegando ao Brasil no início de 1955.

Além de um tio e primos e a companhia de meu pai, ainda não tinha amigos. Mas, aos quinze anos, trabalhando como aprendiz numa oficina de artes gráficas, imediatamente eles começaram a surgir e a interferir de forma positiva no meu crescimento e formação.

Citaria uma lista imensa de nomes relevantes que aos poucos foram me mostrando os caminhos e a importância de viver em sociedade. Facilitaram-me a matrícula em Colégio Noturno para que em quatro anos eu pudesse terminar o Curso Ginasial dando inicio ao Curso Científico, o Colégio França Júnior. Era uma unidade da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos.

Era mantida pela associação dos moradores do IAPI da Penha e pelos pais dos alunos, ou dos próprios alunos, quando maiores de idade. Nesse convívio aprendi sobre a importância do SOCIAL, e aos 20 anos tornei-me PRESIDENTE da entidade mantenedora da Escola. Aos 21 anos, depois de ter conhecido, o Dr. Felipe Tiago Gomes, o fundador da instituição mantenedora e com ele ter passado a trabalhar na criação de escolas, foi me apaixonando sempre mais pelo trabalho comunitário, e aos 22 anos fizeram-me administrador das vinte unidades existentes no Estado da Guanabara. Numa das escolas, no bairro de Olaria, ao conhecer a secretária, tornamos- nos namorados e o noivado aconteceu em 1964, para nos casarmos em maio de 1965, na Igreja dos Capuchinhos, celebrado pelo Frei Jamaria.

Agora, noivos, em 1964, ela era funcionária do IAPC. Eu administrador da CNEG no Estado da Guanabara. A receita somada era insuficiente para o casamento. A minha capacidade profissional e a visão dos amigos, promoveram-me e tornaram-me diretor de departamentos da Direção Nacional da CNEG que naquela altura já registrava a existência de 1.143 escolas no Brasil, com quadro docente de mais de 30.000 professores e matrícula dos discentes acima de 500.000 alunos.

Diploma

Neste meu depoimento não busco a autopromoção pessoal. Mas sim, deixar declarado e confirmado como verdadeiro um dos primeiros LEMAS DE ROTARY, aprovado durante a segunda convenção da Associação Nacional de Rotary Clubes da América, em Portland, em 1913, quando ficou criado que Mais se Beneficia Quem Melhor Serve.

Trabalhando pelo social, minha passagem pela CNEG hoje Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, ofereceu-me oportunidades extraordinárias. A possibilidade de estudar. O crescimento profissional. O Meu casamento, e, por conseguinte, a formação da família devo à CNEC.A criação da pequena empresa onde comercializo Material Escolar – Livraria e Papelaria, veio das experiências colhidas dos 15 aos 30 anos.

O relacionamento e a quantidade de amigos distribuídos pelo Brasil são imensuráveis. Minhas tímidas exposições e minhas mãos em humildes saudações já passaram pelas mais elevadas personalidades brasileiras.

Ilustres professores e educadores de renome, Políticos (Vereadores, Deputados, Senadores). Prefeitos, Governadores e Ministros de Estado e até de Vice Presidente da República. Já apertei as mãos de Sargentos, Majores, Coronéis, Generais e Almirantes. Advogados, Promotores, Juízes e Desembargadores. Visitei Gabinetes, Ministérios, Palácios de Governos Estaduais e até Tribunais onde se decidiam destinos políticos de determinadas personalidades. Isto no tempo do Governo Militar.

Passei pelo radioamadorismo conquistando relacionamentos e amizades mil.

Durante anos o radioamadorismo tornou se para mim uma grande paixão pelas oportunidades de prestar serviços para pessoas que nunca conheci.

Para obter a licença do DENTEL, hoje ANATEL, tive que me adaptar à Legislação Brasileira, requerendo minha naturalização como brasileira. Se entre os presentes tivermos algum radioamador, quero me apresentar: saibam que quem lhes fala é CUNHA - Prefixo PY1 YJA (Papa Yanque Uno –Yanque Joliet Alfa) – estação fixa ou móvel, na modalidade VHF – 2 metros de onda, além de outras.

Dos meus 77 anos de idade, 40 estão dedicados ao ROTARY INTERNATIONAL, como associado do Rotary Club Duque de Caxias, onde exerci a presidência no Ano do Centenário: 2004/2005 – Governadoria de

Salvador da Costa Marques Neto – Rotary Club Jardim Botânico – Fui Governador Assistente em quatro períodos rotários e durante 20 anos atuei como Secretário do RC Duque de Caxias.

No decorrer dos anos aprendi a considerar a importância das pequenas coisas que somadas nos levam a alcançar as grandes.

- Aprendi que de centavo em centavo conseguimos, um real. De real em real,

é possível chegar a 1.000 ou 10.000 e a ultrapassar a soma de 100.000 Reais.

- Aprendi que quando um pássaro está vivo, ele come as formigas, mas quando o pássaro morre, são as formigas que o comem o pássaro.

- Aprendi que o tempo e circunstâncias podem mudar a qualquer minuto. Por

isso, não desvalorize nada em sua volta.

- Aprendi que hoje podemos ter poder em nossas mãos. Mas o tempo é muito mais poderoso, e muda as coisas num piscar de olhos.

- Aprendi que de uma árvore se fazem um milhão de fósforos, mas basta um fósforo para queimar milhões de árvores.

- Aprendi que o tempo é como um rio. Você nunca poderá tocar na mesma água duas vezes, porque a água que já passou, não passará novamente.

- Aprendi a aproveitar cada minuto da vida. Lembrando-me, sempre que não devemos fundamentar a vida nas falsas aparências, pois até as boas aparências mudam com o tempo. É de minutos somados que se compõe uma hora. A cada 24 horas, mais um dia. Um mês, Um ano. Dez anos. Cinquenta anos. Um século. E em um século reunindo rotarianos em todo o mundo, foi criada uma das mais respeitados instituições, o ROTARY INTERNATIONAL. Criou-se a Fundação Rotária e, através dela, está sendo possível salvar vidas, ao erradicarmos a paralisia infantil livrando seres humanos da terrível doença.

- Aprendi a não procurar pessoas perfeitas, porque elas não existem.

Devemos, sim, buscar acima de tudo, alguém que saiba o seu verdadeiro valor. E fundamentem a existência em Quatro amores:

- DEUS; - A VIDA; - A FAMÍLIA; - OS AMIGOS.

- DEUS porque é o dono da vida;

- A VIDA porque ela é curta;

- A FAMÍLIA porque é única;

- E os AMIGOS porque são raros!

São tão raros, que se consagram...

São tão importantes, que não se esquecem...

São tão fortes que se protegem...

São tão solidários que se esquece de si mesmos...

São tão felizes, que fazem a festa... (uma festa como estamos realizando)

São tão fieis que esperam...

São tão unidos, que prosperam...

São tão amigos, que doam a vida...

São tão amigos, que se eternizam...

Amizade. Hoje em dia é tão raro se fazer amigos. Nós conhecemos diversas pessoas ao longo da vida! Mas amigo que eu digo, é aquele que não te vê, mas procurar saber como tu estás? Telefona! Manda mensagem perguntando como vai a vida? Pode ser uma vez no mês, mas ele vai lembrar-se de ti e vai te ligar. Amigo é aquele que está ali nos momentos de alegria, mas também nos momentos de tristeza; aquele que sabe te ouvir e sabe te falar. Aquele que, por mais que a vida te separe dele, continua te querendo bem.

Poucas pessoas sabem cultivar a amizade, poucas dão valor aos amigos que realmente o são.

Com a idade vamos vendo as pessoas que realmente são amigas.

E no Rotary aprendemos a conquistar amigos!

Agradeço a todos que de alguma maneira fizeram e fazem parte da minha vida, da minha história.

E vocês, companheiros do Rotary Club RJ LEBLON, se já eram amigos pela condição de rotarianos, passam, agora a figurar num quadro muito mais perto do coração deste cidadão que é Português por nascimento e por amor à terra onde nasceu; E Brasileiro por opção. Foi no Brasil que aprendi, mais intensamente, a amar as pessoas e a respeitá-las como parte de meu ser, constituindo minha família: esposa, filhas/o genros/nora; e netos e um quadro infinitamente grande de amigos.

Obrigado presidente Fernando Puglia de Azevedo. Obrigado Secretária Sônia Gomes Costa. Obrigado companheiro Pedro Caruso. Obrigado aos companheiros de outros clubes do Distrito que hoje me prestigiam com a presença e com os aplausos. Obrigado companheiros do Rotary Club Duque de Caxias que me surpreenderam com caravana superior a 20 pessoas.

E finalmente obrigado, companheira NEYDE BRILHO por ter proposto o meu nome como ASSOCIADO HONORÁRIO DO ROTARY CLUB RJ LEBLON /GÁVEA.

Rio de Janeiro, RJ, 07 de Novembro de 2017.

Antônio J C da Cunha

Associado Honorário do Rotary Club RJ Leblon-Gávea – Distrito 4570