Campos de férias “mágicos” nos Arcos

O MOCAMFE (acrónimo de Movimento de Campos de Férias), com o apoio da Junta da União de S. Jorge e Ermelo, está a dinamizar acampamentos na praia fluvial de Senra (S. Jorge, Arcos de Valdevez). Cerca de setenta crianças e jovens (sem os animadores), repartidos por dois grupos e em períodos divergentes, vão viver uma experiência de campismo diferente no Alto Minho.

Sob o mote da “magia”, os destinatários do primeiro campo de férias, a decorrer até 12 de agosto, são 35 adolescentes dos 12 aos 16 anos, acompanhados de 17 animadores. O segundo campo realizar-se-á de 16 a 26 de agosto, com um grupo alargado de 36 miúdos dos 13 aos 16 anos. Os participantes, todos voluntários, são originários de várias localidades de Portugal.

Campo de Férias

Campo de Férias

Antes do arranque, foram realizados diversos preparativos, nomeadamente a limpeza da praia fluvial e do campo de férias, assim como a desmatação da área envolvente. Também os trabalhos de logística ocuparam a organização. Só a vegetação crescida na estrada que dá acesso à praia fluvial é que destoa. “Mas a responsabilidade de limpar esta via é da Câmara Municipal”, defende-se uma fonte da Junta de S. Jorge e Ermelo.

Cumpridos os requisitos legais (licenças e pareceres da GNR e da delegada de Saúde) e funcionais (os bombeiros fazem o abastecimento de água), cada grupo, durante dez dias sensivelmente, “tem contacto com um diversificado leque de atividades ao ar livre num ambiente de grande interação”, onde é possível “desfrutar do rio [Lima], dos imensos espaços disponíveis, da zona de merendas e das sombras para jogos de equipa”, exulta Daniela Cunha. Além disso, os participantes vão desenvolver atividades fora do campo, estando previstas “caminhadas pela aldeia” e “travessia do trilho Romeiros de S. Bentinho de Ermelo, acrescenta Mafalda Magro, com achegas do secretário da Junta, Horácio Cerqueira.

O espírito de entreajuda facilita a adaptação dos “mocamfinos” (participantes). “Aqui, funcionamos por equipas e as tarefas vão rodando entre todos, de acordo com um plano diário, cujo balanço é feito dia a dia e em grupo”, explica Daniela Cunha, que sabe muito bem como quebrar o gelo entre desconhecidos.

Campo de Férias

Campo de Férias

Por questões de segurança, na zona de campismo, não são permitidos fogareiros, mas, apesar disso, não faltam “mordomias”, como uma cozinha e sala comunitárias, espaços de higiene e uma zona de banhos. Mas quem quiser pode “refrescar-se” nas piscinas que servem a praia fluvial, fruto do aproveitamento que é feito das barragens do Alto Lindoso e de Touvedo. Também há instrumentos musicais trazidos por alguns “mocamfinos” e, surpresa das surpresas, até se pode dar o caso de a cultura local de raiz popular (concertinas e bombos) ir animar o campo.

A iniciativa inédita em S. Jorge – germinou há meses através da troca de contactos – é elogiada pelo secretário da Junta. “Acho que é um projeto interessante e a prova real de que não é preciso gastar muito dinheiro para fazer coisas diferentes”, diz Horácio Cerqueira, cujo “grande empenhamento” neste processo é realçado por Daniela Cunha, um dos rostos mais visíveis do movimento portuense.