BICADAS DO MEU APARO: O devorismo do poder!

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Artur Soares

Escritor d' Aldeia

Os hospitais estão cheios de doentes e, os manicómios, com alguns apenas. Há doentes cuja medicação ainda é preciso descobrir e, há loucos que as autoridades e o país escondem e outros desconhecem-nos. Quanto aos loucos encapuzados, retirem-se dos manicómios os oficializados e coloquem-se lá aqueles. Onde se encontram? Na rua ou no poder.

 

Existem os artistas da Olaria que trabalham o barro e há artesões verdadeiramente artistas. Mas um Oleiro que fabricasse terrinas capazes de expor as maldades e a loucura de tantos, ainda não surgiu. E é pena, Portugal lucraria. Tem de ser o povo que sofre a consumir tais maldades, velhacarias e sofrimentos que esses raquíticos deuses - que nem a Deus dizem nada - infligem.

 

Afligem a violência física com assaltos a par de assaltos económicos/financeiros existentes; a pobreza e a pedincha nacional devoram-nos; o medo individual e coletivo quanto ao presente e o futuro extenuam; o poder político actual faz do povo cadáveres na vertical e, todos eles andam à solta!

 

Portugal não era tanto assim e mais de 99.9% recusa, detesta e odeia o que se sente, o que se vive e o que se vai perdendo. Muito se falha, e é a classe política que tem semeado a crise e a impõe nos lares portugueses.

 

Reflitamos a História destes últimos duzentos anos! Esta gentalha banal e oca – políticos laite fabricados nos palcos da televisão - sempre e apenas pensaram em si mesmos e nos grupos onde obedecem, bem conhecidos.

Têm apelado praticamente todos os nossos Bispos – e D. Jorge Ortiga tem-no feito duma forma constante - para que haja “estabilidade política e equidade nos sacrifícios” exigidos a todos, e não se têm cansado de avisar do “direito ao trabalho” e da oficial rapacidade descarada na atual crise, por quem tem governado.

 

Por isso mesmo, alguém escreveu que “o mundo necessita de obras que afastem o desencanto e a desilusão: são necessárias ações concretas que incomodem a quietude de quem deveria resolver os problemas fundamentais”. Em Portugal, o fundamental dos portugueses nunca se resolveu. E quando algo se foi fazendo, ou era tarde, ou estava velho, ou outros nos substituíram.

 

Há centenas de anos atrás, tivemos a “Troica Filipina” que nos algemou e sacou durante sessenta anos. Hoje, em qualquer beco ou rua, sentimos o cheiro da moderna “troicada” que – não se sabendo bem quem eram nem quem os tangeu - foram-nos cadeando e abafando até à exaustão, a par doutra tróica interna – Passos, o Ali-Bàbá português, Portas, o Irreversível e Cavaco, o Delicadinho - sem que o povo seja o verdadeiro culpado! Fazem-nos um povo de pedintes.

 

“A Lanterna”, que era um órgão de informação em Portugal no ano de 1870, uma tal Maria Luísa Guerra, escreveu a 17 de Dezembro desse ano:

“O governo português anda a mendigar em Londres um novo empréstimo. Os nossos charlatães não sabem senão estes dois métodos de governo: empréstimos e impostos. Isto é dinheiro emprestado e dinheiro espoliado. Pede-se primeiro aos agiotas para pagar às camarilhas; depois tira-se ao povo para pagar aos agiotas, para as extravagâncias do governo e para dar guarida económica aos filhos, netos, bisnetos e enteados de quem governa”.

 

Hoje, também como ontem, eis o devorismo do poder!

A Austrália, um dos países ricos deste nosso tempo, tem 22 milhões de habitantes e apenas possui 150 deputados. Portugal dá-se ao luxo de ter no continente e ilhas 3 governos; 333 deputados; 308 câmaras; 1770 vereadores; fundações piratas; 500 assessores locais; 1284 serviços públicos e 119 Observatórios, que jamais se justificarão e nada “observarão”. Fazem-nos ser isto!

Portugal, a ter um número de deputados equivalente à Alemanha, teria de reduzir em muito mais de 50%, àqueles que nos dizem servir.

 

O povo português tem de estar atento e tem que aprender a analisar as afirmações dos governantes, distinguir o chorrilho de mentiras nas campanhas eleitorais e aprender a votar nos programas de governo e não nas pessoas que beijocam o povo nos “banhos de povo”, uma vez que já não temos Forças Armadas que façam um 26 de Abril.

 

Na verdade, há pessoas que vivem indiferentes a tudo e a todos. Há por isso que viver atento e ser responsável pelo que se foi e pelo que se é. Não o sendo, pode “confessar-se” sem culpas, mas, quanto a méritos, dificilmente os terá, e quanto a prémios é impossível obtê-los.

                                                                                                                                      

(O autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)