Bacia do Lima com reserva hídrica abaixo da média

O volume de água armazenado na bacia hidrográfica do Lima (conjunto das albufeiras de Lindoso/Soajo e de Touvedo/S. Jorge) tem vindo a descer gradualmente no ano em curso.

No fim de setembro, esta bacia apresentava uma disponibilidade hídrica de 51,4% (no mês homólogo de 2016 foi de 56,5%), inferior à média de 53,9% para o referido mês desde que há registos, segundo os dados compilados pelo Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH).

A albufeira do Alto Lindoso/Soajo registava, no último dia do mês findo, 49,7% de armazenamento, nível muito inferior ao volume de 81% de finais de maio. Fruto de um verão extremamente seco (com continuação no outono), a reserva da principal hidroelétrica nacional tem vindo a baixar de modo acentuado nos últimos meses.

O secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, preocupado com a falta de água, referiu à comunicação social que a tutela está a seguir as “albufeiras em situação crítica” e a “aumentar o número das que estão sob vigilância”, alertando para o problema da “redução crescente das reservas subterrâneas”.

Bacia do Lima

Bacia do Lima

Bacia do Lima

Também o presidente da associação ambientalista Quercus acompanha a situação com inquietação. “Quanto mais diminui a quantidade das reservas, pior fica a água em termos de qualidade. Isto é muito grave”, frisa João Branco.

Entretanto,com uma reserva hídrica tão baixa, há lugares cujas “memórias submersas” estão a descoberto (algo que, porém, não é inédito), consequência de uma das maiores secas em Portugal desde os anos noventa do século passado. É o caso da idílica Várzea, onde o património cada vez mais “destapado” – sobretudo socalcos, antigas veigas e pardieiros – encerra uma mistura de sentimentos entre os nativos residentes, que não escondem sensações contraditórias, de fascínio e de saudade ao mesmo tempo.

De referir que, das sessenta albufeiras monitorizadas pelo SNIRH, a do Alto Lindoso/Soajo é, apesar de tudo, uma das 34 que apresentam uma disponibilidade superior a 40% do volume total.

Sob bastante reserva, dado que são projeções a grande distância temporal (várias semanas), os dados científicos apontam para pouca chuva e temperaturas elevadas até dezembro de 2017, segundo foi salientado, recentemente, na comissão permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca.