Arcos de Valdevez: turismo e enogastronomia em alta em registos estatísticos e em revistas da especialidade

Viajar à boleia da comida. O turismo e a gastronomia desempenham um papel de vincada importância na catalisação da atividade económica e, no Alto Minho, as realizações gastronómicas são trabalhadas, cada vez mais, como complemento à oferta turística.

Foi com base nesta simbiose que se realizou de 31 de janeiro a 4 de fevereiro mais uma organização da Feira Internacional de Turismo Gastronómico (em Ourense, Galiza), que conjugou a confeção de pratos da gastronomia arcuense, através da arte de cozinhar ao vivo pelo restaurante Pote, com provas comentadas de vinhos de Arcos de Valdevez e de Ponte da Barca.

O concelho arcuense fez-se representar nesta mostra internacional com vários expositores, da ARDAL à Associação de Vinhos de Arcos de Valdevez, dos empreendedores de alojamento local aos produtores representativos da endogenia, entre outros. Tratou-se, portanto, de mais uma oportunidade para mostrar as riquezas culturais e enogastronómicas de Arcos de Valdevez, permitindo reforçar, ao mesmo tempo, a visibilidade do território além-fronteiras.

Turismo em alta em Arcos de Valdevez

A participação no certame galego resulta da estratégia de promoção da gastronomia local e da restante oferta turística como fatores distintivos num mundo globalizado onde as “experiências culturais são cada vez mais procuradas”, conforme não se cansa de dizer o edil João Manuel Esteves.

Os frutos desta correlação, que começou a ser trabalhada pelos agentes do setor em anos recentes, estão, segundo os promotores, devidamente repercutidos nos registos oficiais. Por exemplo, a visitação à Porta do Mezio tem vindo a aumentar mais de 15% ao ano. De 2015 a 2017, o fluxo passou de 39 415 para cerca de 52 mil visitantes, o equivalente a um impulso de 31,9%, evoluindo numa linha de crescimento sustentado.

Como consequência da divulgação que tem sido feita em Espanha, não só em feiras como em lojas e espaços dedicados ao turismo, é de assinalar que um contingente significativo da visitação à referida porta de entrada do PNPG provém do país vizinho.

Turismo em alta em Arcos de Valdevez

Vinhos arcuenses que “casam com a dona lampreia”

Não é o mais procurado, porque o turismo de natureza é, de longe, o maior segmento de todos, mas o turismo culinário, que promove a experiência e o saber fazer, está a crescer bastante em Portugal, e o Alto Minho não é exceção. O concelho de Arcos de Valdevez, também neste particular, dispõe de vários produtos de excelência, que estão cada vez mais em revistas da especialidade.

Exemplo disso é a lampreia, rainha dos mares e dos rios, que começa a ser servida por esta altura nos restaurantes e, como sempre, atrairá muitos apreciadores de fora. Mas a iguaria, para além de muita arte culinária, reclama um complemento vínico à altura.

Ora, não por acaso, o gastrónomo Fernando Melo, na revista Evasões, de 2 de fevereiro, sugere para acompanhamento do famoso ciclóstomo o Aphros e o Vinho Verde da Adega Cooperativa de Ponte da Barca. O Aphros (Vinhão Sub-Região Lima Doc – Vinho Verde Tinto 2016), avaliado com 17,5 (em 20 valores), é descrito pelo conhecido crítico como um “vinho sofisticado, de grande prazer em boca, e com aromas florais e frutados. Maravilhoso com o clássico arroz de lampreia, reserva boas surpresas à mesa e demonstra a versatilidade da casta e o seu potencial gastronómico”, salienta o crítico.

Já o Vinhão Superior Doc (Vinho Verde Tinto 2016), da Adega Cooperativa de Ponte da Barca, “produzido a partir de cepas velhas entre Ponte da Barca e Arcos de Valdevez [a maioria dos fornecedores da Adega é deste concelho], com mão enológica segura, […] funciona bem com a variante dita à bordalesa, bem como com o arroz de lampreia”. Com 15 valores de classificação e a um preço muito em conta, tem-se um vinho que também “casa bem com a dona lampreia”, sublinha Fernando Melo.

De referir que os municípios alto-minhotos, incluindo o de Arcos de Valdevez, estão a intensificar a programação de eventos com vista à oferta regular de experiências gastronómicas com o objetivo de aumentar a visitação e o tempo de permanência dos turistas.

Em variadíssimos casos, a experiência só termina depois da viagem de regresso a casa, com as avaliações e compartilhas feitas pelos turistas nas redes sociais. Mas, no meio de muitos elogios, existe a queixa recorrente da sobreposição de organizações em concelhos vizinhos.

 Turismo em alta em Arcos de Valdevez

Visitação à Porta do Mezio*

.2015: 39 415 visitantes

.2016: 45 mil visitantes (cerca de)

.2017: 52 mil visitantes (cerca de)

* Dados fornecidos pela CMAV