Arcos de Valdevez: PS aponta a “candidato abrangente” para entrar no “eleitorado de direita”

Eleições Autárquicas

Ainda sem data marcada (provavelmente em outubro próximo), as eleições autárquicas já agitam as estruturas partidárias, que cerram fileiras e procuram encontrar os melhores candidatos ao Município de Arcos de Valdevez e às juntas/assembleias de freguesia.

Neste concelho, onde o PSD “reina” desde que há poder local democrático, o anúncio da recandidatura do edil João Manuel Esteves foi feito em Dia de Reis, numa jogada de antecipação que, volvidos mais de dois meses, está a causar alguma pressão no principal partido da oposição.

PS

Efetivamente, o PS, arrastado por algumas dissonâncias internas, só vai anunciar o candidato à Câmara “durante este mês de março”, segundo disse ao Minho Digital a presidente da Concelhia Socialista, que declara estar a trabalhar, “sem precipitações” e com “muita ponderação”, numa “candidatura abrangente”.

“Estamos atentos aos desenvolvimentos, sabemos que há fações no partido [PSD] que tem sido poder nos Arcos, sendo certo que o nosso candidato, [se este vier de outro quadrante político], terá de entrar nos nossos valores e fazer uma aproximação em relação àquilo que é nossa linha política, numa perspetiva de continuidade para ser alternativa credível”, avisa Dora Brandão.

Neste contexto, depois de alegadamente ter “namorado” Francisco Araújo – o antigo edil não fez desmentido e adensou ainda mais o “mistério” ao dizer a este jornal que não revelava “conversas de teor privado” –, a Concelhia do PS poderá estar a pensar em Germano Amorim para aliciar o eleitorado do PSD que está descontente.

Este “jogo” de paciência, que tem conhecido mais afastamentos do que aproximações, “alimenta” recados, insinuações e uma quase certeza. Se não conseguir “pescar” (fora do partido) uma “truta” (leia-se, “senador”) com peso ou notoriedade para entrar no “eleitorado de direita” (expressão da cúpula socialista), o PS fica sem grande margem de manobra e a “batata quente” sobrará, provavelmente, para a presidente Dora Brandão, que, apesar de colada, por alguma militância interna, a um passado de derrotas eleitorais, se verá quase obrigada a ir a votos como cabeça de lista outra vez.

PSD

Por ser poder, a vida do PSD é (sempre foi) mais fácil. O vereador Olegário Gonçalves diz que a meta do partido é “consolidar e reforçar a votação de 2013 à Câmara” (nestas eleições, o PSD alcançou, recorde-se, o segundo pior registo de sempre), com a eleição de, “pelo menos, mais um vereador” (há quatro anos, o PSD elegeu quatro dos sete membros de Câmara). Na lista de candidatos em posição de elegibilidade, além dos atuais vereadores em exercício, é expectável que Beatriz Cacho surja, de novo, como um dos nomes a cogitar.

Em “pratos limpos” também, o CDS repete a “receita” de 2013 e recandidata o atual vereador Fernando Fonseca, que tem vindo a protagonizar uma oposição assente em opções políticas centradas na canalização de mais investimento para setores como o agroflorestal e no desagravamento fiscal, preconizando, compensatoriamente, uma gestão mais criteriosa dos recursos existentes.

Com a discrição habitual, a Comissão Concelhia da CDU reúne-se, este sábado, 18 de março, no Centro de Trabalhos de Arcos de Valdevez (Rua da Valeta), devendo o plenário decidir, aí, qual o candidato da coligação (PCP e PEV) à Câmara Municipal.

 CDS

CDS “pesca” antigo deputado do PS para suprir “baixas”

Também as listas para a Assembleia Municipal começam a ser elaboradas pelos partidos. Segundo fonte bem colocada no processo de escolha dos candidatos do PSD, a lista a apresentar ao órgão deliberativo será encabeçada, novamente, por Francisco Araújo.

Pelo PS, fora da “corrida”, alegadamente por razões profissionais, está o atual líder de bancada, Armando Caldas. Abre-se oportunidade para “preparar o futuro” e pôr, “na frente”, “jovens dos dois géneros”, perfil que encaixa na perfeição em João Carlos Simões e Sandrina Parga (estão confiadas neles muitas esperanças na anunciada política de renovação de quadros).

Já o CDS, com algumas “baixas” forçadas, devido a compromissos profissionais de destacados militantes (é o caso de Carolina Faria), deverá apostar na continuidade dos jovens Álvaro Amorim, Carina Fontão, António Faria e, eventualmente, Mário Ventura. A estes nomes junta-se, segundo apurou o Minho Digital junto de fonte do CDS, o conhecido radialista Duarte Barros, antigo deputado municipal (pelo PS).

Por fim, o candidato da CDU à Assembleia Municipal será, também, discutido este sábado, 18.

 

PSD quer reforçar tonalidade “laranja” no mapa cromático das freguesias

Nas freguesias, o PSD vai a votos em (quase) todas elas. “Nalgumas até temos candidatos a mais”, atira Olegário Gonçalves, um dos mais exímios mediadores do “aparelho” no respeitante à gestão de contactos, lugares e sensibilidades internas. Falar com os militantes um a um, ir a casa deles (se tal for preciso) e descer às bases, etc., é o trabalho que se espera da cúpula “laranja” para reforçar o domínio do PSD nos núcleos rurais.

Das freguesias perdidas em 2013, há duas que o PSD quer recuperar e, não por acaso, para elas, até já há candidatos, isto a fazer boa-fé nas palavras de Olegário Gonçalves. “Em Soajo e Távora (Santa Maria e São Vicente), os processos dos cabeças de lista estão fechados”, adianta a mesma fonte.

A missão de resgatar a autarquia de Soajo será confiada a um candidato “surpresa”, segundo frisa o vereador do Associativismo, que diz ser “alguém residente”. Conhecedor deste processo, o atual presidente da Junta de Freguesia de Soajo (militante do PSD), que está “indisponível para continuar nas lides políticas”, garantiu a este jornal que “o candidato preferido do PSD era João Casanova”, só que este “rejeitou o convite”, diligência não confirmada, no entanto, por Olegário Gonçalves.

Sem desvendar nomes igualmente, o mesmo vereador revela que o candidato do PSD a Távora (Santa Maria e São Vicente) é “novidade” na política – perfil à medida de Avelino Amorim (emigrante em França) ou, eventualmente, Manuel Barros Gomes.

Por sua vez, o PS quer amplificar o espectro de candidaturas e espreita “janelas” de oportunidade nas freguesias onde há descontentamento do eleitorado (as uniões de S. Jorge/Ermelo e Portela/Extremo estão no radar dos socialistas), mas, segundo estratégia a delinear internamente, a exemplo do que tem acontecido em anteriores atos eleitorais, o partido, por “taticismo”, não vai apresentar candidatos em várias delas com o intuito de afrouxar a mobilização do eleitorado social-democrata. De resto, é nos presidentes com obra feita, casos de António Maria Sousa, em Távora, Pedro Alves, em Jolda S. Paio, e Susana Amorim (“não está fora das listas”, defende Dora Brandão), em Padroso, que o PS se inspira para fazer boa figura nas freguesias.

O CDS, que, há quatro anos, ganhou a autarquia do Vale, com Mário Cerqueira, e esteve perto de “roubar” Sistelo ao PSD, aparece empenhado em alargar a base de candidaturas às freguesias, sendo realista o objetivo de confirmar o Vale e ser o segundo partido mais votado em algumas delas.

A CDU, que tradicionalmente tem reduzida expressão eleitoral nas freguesias de Arcos de Valdevez, vai, de certeza, a votos em Soajo.

 CDU