Arcos de Valdevez: Centro Social e Paroquial do Vale há trinta anos a prestar “um serviço como ato de amor”

Centro Social e Paroquial do Vale (CSPV) completou, recentemente, o seu trigésimo aniversário de existência. A efeméride convocou o primeiro grande desafio que a equipa (técnica e operativa) abraça diariamente: “cuidar bem dos idosos” para valorizar a velhice.

A diretora técnica é a primeira a irradiar calor humano logo quando entra nas instalações do centro de dia e da estrutura residencial (lar). “A nossa missão é proporcionar um bom dia aos idosos, porque, não sabemos, pode ser o último”, diz Cristina Cerqueira, que está à frente da instituição desde 2006.

A responsável saúda os utentes um a um e trata de igual modo as colaboradoras, cujo trabalho não se cansa de valorizar. “Elas fazem o mais difícil, cuidam e monitorizam 24 horas por dia os idosos, cada qual com vivências e culturas diferentes, e fazem-no com carinho, sapiência e responsabilidade”, elogia Cristina Cerqueira, depois de dois dedos de conversa com a quase centenária Rosa Pires (99 anos), que, tal como os outros utentes, recebe o carinho de uma dedicada equipa de profissionais.

Centro Social e Paroquial

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Carminda Silva, 43 anos, é a funcionária há mais tempo em atividade. Entrou em 1994 como “estagiária do Instituto da Juventude” e por lá se mantém, ininterruptamente, até hoje. Durante estes 23 anos, tem feito “um pouco de tudo”, nomeadamente “serviço de apoio ao domicílio”, “cozinha” e, em tempos, “transporte escolar”. Outra colaboradora, Regina Gonçalves, 44 anos, tem na polivalência um predicado também. “Desde que ingressei no CSPV, em 1999, faço higiene dos idosos, limpeza do espaço físico, cozinha e, se for preciso, transporte de utentes”. As duas funcionárias com maior longevidade concordam que é “reconfortante” trabalhar com os idosos e que “se aprende muito com eles”.

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A diretora vai mais longe e dá umas achegas. “Lidar com a população idosa tem as suas mais-valias e as suas fragilidades. A serenidade e a experiência de vida que os idosos nos transmitem são grandes ensinamentos. As maiores debilidades, claro, são a condição de saúde deles e o luto”, refere Cristina Cerqueira, que aponta para os trabalhos (e fotografias) afixados nas paredes dos vários compartimentos para provar a interação e o eclético programa de atividades em torno de convívios, trabalhos manuais, ginástica e jogos tradicionais, distrações que ficam prejudicadas quando alguém falece.

Trinta anos de vida é um momento de festa para a instituição, mas, ao mesmo tempo, “de muita reflexão”, a pensar no futuro. E que prenda a diretora gostaria de receber a curto prazo? “Na verdade, fizemos [equipa técnica e operativa] um pedido à Direção: juntar os dois equipamentos sociais (centro de dia e lar) para termos uma única equipa concentrada e, aí, obviamente, com uma supervisão mais atenta, assegurar-se-ia um melhor acompanhamento e uma maior rentabilização de recursos”, vinca Cristina Cerqueira.

Centro Social e Paroquial

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A meta “não é crescer”, mas “recentrar a missão”, “definir novas estratégias”, “melhorar a qualidade do trabalho” e “concentrar as respostas sociais num só edifício”, reforça a diretora, acrescentando que, com o “apoio da Segurança Social e da Administração Pública”, o projeto é “atingível”. Só com esta reconfiguração é que estarão criadas as condições ideais para o processo de melhoria contínua, assente nos seguintes pilares: “cuidar bem dos idosos”, “ser funcional/sustentável” e “estar [o espaço] asseado”.

O CSPV, inaugurado em 1987, cumpre três respostas sociais, o lar, que alberga 15 utentes, o centro de dia, que acolhe outros tantos, e o serviço de apoio domiciliário, que serve 35 idosos de quatro freguesias de Arcos de Valdevez (Vale, Oliveira, S. Jorge e Ermelo).

Este projeto de cariz social, que é presidido pelo pároco Belmiro Amorim, emprega 24 pessoas.