Espigueiros de Soajo e Lindoso vão figurar em moeda de coleção da Imprensa Nacional-Casa da Moeda

A sexta moeda da série “Etnografia Portuguesa” é alusiva aos “Espigueiros do Noroeste” e nela constará a Eira Comunitária de Soajo (no reverso) e uma construção de Lindoso (no anverso). A moeda foi apresentada esta quinta-feira, 8 de fevereiro, pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, ao abrigo de um projeto que emparceira o Museu Nacional de Etnologia. Trata-se de uma iniciativa que enaltece o património e a cultura identitária do povo de Soajo e de Lindoso.

Esta moeda comemorativa de 2018, cuja data de lançamento está estimada para novembro próximo, retrata, com efeito, a importância dos espigueiros na conservação do milho (utilizados para guardar, secar e proteger as espigas dos roedores) e o seu relevante papel na cultura agrícola do noroeste peninsular, onde vários conjuntos de “celeiros” são o símbolo perfeito do espírito solidário das gentes locais.

A moeda (com 2,5 euros de valor facial) destina-se, fundamentalmente, a colecionadores e especialistas, ou simples curiosos, fazendo parte do Plano Numismático de 2018. Este Plano abrange oito moedas comemorativas que, para além da referida Etnografia Portuguesa (Espigueiros do Noroeste), engloba, também, o Campeonato do Mundo’2018 na Rússia; a Série Europa (Barroco); Ídolos do Desporto (Rosa Mota); 100 anos do Armistício; Espécies Vegetais Ameaçadas (Trevo de quatro folhas); Espécies Animais Ameaçadas (Águia imperial); e Arquitetura Portuguesa (Souto Moura).

Desde que a iniciativa Etnografia Portuguesa arrancou em 2013, as moedas desta coleção já foram dedicadas a cinco elementos etnográficos específicos: Arrecadas de Viana do Castelo (2013), Jugos (2014), Colchas de Castelo Branco (2015), Figurado de Barcelos (2016) e Máscaras Transmontanas (2017). Os Espigueiros do Noroeste encerram este ano o ciclo que tem conseguido difundir e celebrar importantes valores da cultura popular portuguesa. No caso, as ilustrações cunhadas na moeda, que ainda está em preparação, fazem sobressair as construções ligadas à cultura do milho, assim como o afloramento granítico e, claro, as espigas.

A propósito da seleta coleção que distingue tão valioso património, o vice-presidente do Município de Arcos de Valdevez apresentou, em reunião de Câmara, um “voto de congratulação ao povo de Soajo pelo reconhecimento que é dado aos espigueiros de Soajo, os mais emblemáticos, os mais conhecidos e os que mais nome dão aos Arcos em termos turísticos”, referiu Hélder Barros.

Espigueiros do Soajo

 

Escultores Isabel Carriço e Fernando Branco explicam ilustrações em execução

“No anverso [parte da frente da moeda], vê-se um espigueiro de Lindoso e as Quinas nos seus esmaltes, que tanto têm que ver com o nosso Minho. No reverso, há os espigueiros de Soajo, umas maçarocas de milho e a legenda ‘Noroeste Peninsular’ para incluir a Galiza, onde eles são conhecidos pelo nome de ‘Horreos’ ou ‘Canastros’.

Desejamos que a moeda dos Espigueiros projete o nome do Minho. Ao dar cor às Quinas, inspirámo-nos nas primeiras bandeiras de Portugal em azul e branco”.