Poesia na Intimidade

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Cândida Passos

Cândida Passos

Poetisa

Aquele abraço!  Abri  a porta de entrada, Toda acelerada. Eras tu! Que surpresa, a minha! Tomaste-me  Nos teus braços! Senti-te, Como nunca  Te senti! Ficámos eternamente  Ali… No meio do silêncio, Sem uma palavra Pronunciar! O teu calor Trespassou do teu      

Aquele abraço!

 

Abri  a porta de entrada,

Toda acelerada.

Eras tu!

Que surpresa, a minha!

Tomaste-me

Nos teus braços!

Senti-te,

Como nunca

Te senti!

Ficámos eternamente

Ali…

No meio do silêncio,

Sem uma palavra

Pronunciar!

O teu calor

Trespassou do teu corpo

Para o meu.

Aboliste os meus arrepios

De frio!

E permanecemos

Ali…

No meio do vazio!

No meio de tudo!

Apenas…

Respirar no respirar.

Pensamento no pensamento.

Abraçar no abraçar.

A saudade era insaciável.

Aquele abraço duradouro

Transformou-se

Num tesouro!

Entre respirações ofegantes.

Entre momentos extasiantes.

Só tu e eu …

Vivenciámos.

O tesouro do Amor!

Alvarães

 

Minha terra mãe.

Terra que me viu nascer

Num dia de primavera.

Terra que me viu crescer

Deixando-me a sua quimera.

 

No seu útero,

Aprendi a respirar;

Aprendi a dormir;

Aprendi a sonhar;

Aprendi a sorrir…

 

No seu colo,

Aprendi a brincar;

Aprendi a ler;

Aprendi a pensar;

Aprendi a viver…

 

Nos seus braços,

Aprendi a abraçar;

Aprendi a compreender;

Aprendi a valorizar;

O meu pequeno ser…

 

Minha terra mãe.

Terra dos andores floridos

Com pétalas verdadeiras.

Terra do barro.

Terra das Telheiras!

Minha terra mãe

Acarreta nos seus braços,

Um rio chamado Neiva.

Acarreta no seu coração

As cerâmicas, Rosas e Campos

Que estão em vias de extinção,

Mas que alimentaram muitas famílias

Quer fossem de Alvarães ou não.

 

Minha terra mãe

Terra da telha para os telhados

Para no inverno, os seus filhos

Estarem abrigados das intempéries

Do tempo, que a qualquer momento

Fica furioso, fica sem controlo

E chama vendavais e trovões

E chama trovoadas e dá sermões!

 

 Alvarães, é a minha terra!

 O meu segredo  Tenho um segredo só meu Que não quer ir para a caixinha dos segredos. Apenas não quer partilhar o seu segredo Com os outros segredos. E sofre com isso porque queria companhia Mas não confia nos outros segredos que só têm a mania. Acham-se s

 O meu segredo

 

Tenho um segredo só meu

Que não quer ir para a caixinha dos segredos.

Apenas não quer partilhar o seu segredo

Com os outros segredos.

E sofre com isso porque queria companhia

Mas não confia nos outros segredos que só têm a mania.

Acham-se segredos de qualidade,

Embora só tenham má vontade,

Dentro do secretismo.

Parece que caíram num abismo sem fundo.

Parece que são segredos de um outro mundo.

Não são segredos genuínos, originais…

São segredos existenciais,

Sem objetivos em mente,

Sem valor aparente.

E o meu não é assim.

E um segredo com princípio, meio e fim.

Um fim com conclusão.

Um segredo com coração!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor:

Cândida Passos

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