‘Comem-se’ uns aos outros!...

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Manso Preto

Lamentavelmente, por vezes presenciamos acontecimentos onde sobressai uma profunda crise moral com largos prejuízos para a credibilidade política. Assiste-se à subversão de valores éticos e, ao mesmo tempo, a uma indigente indiferença enquanto representantes de quem neles votaram. Surgem agentes de desvios que levam a situações danosas. Perde-se a credibilidade política e fica-se sequestrado por troca de favores, promessas, e-mails, simples telefonemas.

A crise de confiança numa solução exige união. Mas, muitas vezes, ao invés, acumulam-se puxões de tapete, relatos sobre diálogos ríspidos e acusações de falta de lealdade - lealdade esta por quem só a entende e aceita com militante fidelidade canina e abanar de cabeças perante o ‘criador’ do seu ‘job for the boy’…

O que se destaca nisso tudo é a deterioração política ao mais baixo nível, em troca da política de sobrevivência. O ódio, a oposição cega e doentia, a disputa onde vale tudo, o boato rasteiro, a intriga, não raras vezes mais visíveis dentro do próprio partido que nos outros, os tais que são tidos como adversários de outros quadrantes ideológicos. Companheiros ou camaradas destes, não precisam de inimigos de tal quilate que  há muito saltaram a fronteira e estão muito, mas muito além de adversários partidários…

Assiste-se ao lado sombrio da política onde se submeteu tudo a si.

Decisões a pensar mais no ego que no interesse da comunidade, o alavancar de suspeitas contra os os outrora amigos transformados em alvos certeiros a abater, a política no que de mais maquiavélico pode ter e servir, a falta de decoro, a ausência de referências, a chafurdice e a irracionalidade a crescer sabe-se lá até que limites, o crescimento insano do que a partidocracia tem de pior e mais obscuro, o protagonismo primitivo dos inconfessáveis aspirantes a serem venerados e por todos cumprimentados num misto de deferência e hipocrisia  - tudo isso a todos convoca num exercício de reflexão.

O populismo, o ‘porreirismo’, o sorriso fácil como culto para ‘maquilhar’ uma imagem criada nas redes sociais com posts a que se seguem em catadupa os muitos likes dos subservientes  ou de quem ambicione e bajule interesseiramente essa proximidade (porque um dia podem precisar de uma ‘cunha’), muitas vezes alicerçadas estapafurdiamente perante o suposto  glamour de uma selfie ao lado do líder...

Onde confrangedoramente vivemos tempos em que falta ideologia, que se pode esperar?!!!

E o que ensombra ainda mais é que esta é a gente que se propõe governar-nos!...